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afonsonunes

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23 Dez, 2011

Alloz com faltula

Já estamos habituados a ver muita gente que anda a pão e água, mas isso vai acabar dentro de pouco tempo. Vem aí o ciclo do arroz comido com os dedos, depois de cozinhado num fogão eléctrico que funciona exclusivamente com energia produzida na maior barragem do mundo. Portanto, a partir de agora, é bom que se fale de alloz.

Mas, que ninguém esqueça que o fogão também tem de vir da China, porque os de cá ficam para a sucata. Provavelmente, também haverá outras coisas e outras pessoas que levam o mesmo caminho, ou não fossem os chineses muito ciosos dos seus métodos e das suas tecnologias, tudo de ponta, como não podia deixar de ser.

Não será surpresa para ninguém se, de um dia para o outro, deixarmos mesmo o euro, agora sem aqueles muitos inconvenientes apontados a essa eventualidade. Com as lojas chinesas a comandar as operações, a nova moeda não terá qualquer dificuldade em se impor no país, tal como os investidores em comprar o que ainda resta de lojas de cá.

Já me constou que eles têm reuniões marcadas com a super ministra da agricultura e mais não sei do quê, para tratar de a mandar para o mesmo destino daquele que Mexia, mas vai deixar de mexer. Porque quem vai mexer naquilo tudo são todos os familiares dos chineses que ainda continuam à espera de ser chamados para cá.

Para não terem que trazer o arroz que comem e que nós vamos comer, vão atirar-se para esses campos abandonados, com as mangas arregaçadas de dia e de noite. Do Minho ao Algarve, não ficará campo que não produza arroz, incluindo as serranias de todas as beiras e a imensa Serra do Caldeirão. Sim, eles não metem água em coisa nenhuma.   

Será assim que eles vão encher as lojas chinesas de tudo o que nós estávamos a mandar vir fiado do estrangeiro. Até há quem diga que eles vão entregar direitinho ao estado, o IVA cobrado e ensinar a todos os contribuintes portugueses que não devem utilizar a tabuada de sumir nas suas contas, nem seguir os maus exemplos dos que mandam.

Que ninguém pense que vamos ser uma colónia chinesa. Pelo contrário, já recebi garantias de que, em Portugal haverá, a muito curto prazo, uma colónia chinesa muito maior que toda a população nacional. Com a garantia de que todos terão emprego pleno, não precisando de subsídios de qualquer espécie. Mesmo do abono de família.

O mais sensacional de tudo isto, é que os chineses de Portugal, comprometem-se a reduzir o desemprego a zero, flagelo que tanta gente de cá tem lamentado. Eles, além de trabalhar no duro, ainda vão dar trabalho a toda a gente. Imagine-se, toda essa massa trabalhadora a descontar para a segurança social.  

Mais! Eles não querem receber reformas, porque argumentam que estão mentalizados para trabalhar até morrer. Uma maravilha para a segurança social. Vai poder dar mais reformas milionárias aos trabalhadores de cá e ainda sobrará muito dinheiro para mandar para a China, todos os portugueses que não queiram trabalhar cá.

O país ficará outro em poucos dias. As reformas serão muito rápidas, porque nada dependerá dos ministros que passam a vida a dizer o que vão fazer no futuro. Como a energia passa a ser chinesa, quem quiser passear anda a pé. Quem quiser descansar não fala demais. Quem quiser trabalhar a sério, anda de bicicleta a pedal.

Portanto, fome é coisa de que, em breve, vamos deixar de ouvir falar, graças aos campos inundados de arroz, mesmo os plantados de laranjeiras porque, dizem eles, é um desperdício cultivar árvores que só nos dão frutos que conduzem o povo à ilusão e à miragem de que os campos são bons só porque têm muito colorido.

Depois, as laranjeiras desviam a direcção do vento, esse fenómeno que alimenta as energias eólicas e que esteve na origem da importância atribuída pelos chineses à nossa EDP, a maior do mundo e arredores nessa matéria. E eles ambicionam ter um lugar no mundo global. Nós, pelo contrário, fugimos do que é bom para eles, porque para nós não presta.      

Estamos pois no bom caminho para atingir aquele país cheio de energia, ainda que de origem chinesa, mas energia que vai dar trabalho, acabar com a fome e fazer feliz um governo que só quer o nosso bem-estar. Obrigado, meus salvadores.