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afonsonunes

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O PS está murcho e limita-se a proferir umas frases feitas de carinho fraternal, enquanto o PSD não se cala com o feito de realizar algumas das coisas que lhe mandaram fazer, ao mesmo tempo que manda as costumeiras bicadas aos seus antecessores no poder.

Os mimos do PSD ao PS são a conversa do costume, agressiva e nem sempre justa nem leal, enquanto lá vai dizendo o que sabe que convém a Belém, no intento deste de parecer agora o que não foi no passado, não muito distante. Tudo para o povo ver e ouvir.

Seguro está mais calmo que seguro. Sabe que Passos está na corda bamba, tal como Passos sabia que Sócrates estava. O poder tanto pode estar longe, como pode estar ao virar da esquina. Seguro não quer suceder a Passos, do mesmo modo que este sucedeu a Sócrates.

Passos arriscou tudo, mesmo correndo o risco de se queimar no braseiro que criou. Chamuscado, e bem chamuscado, já está neste momento. Seguro não sopra o lume, mas espera que os ventos de mudança o aticem e resolvam isto de vez a seu favor. Mas, calma a mais nem sempre resulta.

Esta trilogia – Sócrates, Passos, Seguro – muito dificilmente conseguirá o mesmo destino. Todos são mais ou menos da mesma idade, todos vieram das mesmas origens e todos parecem pensar pela mesma cabeça nas questões mais relevantes para o país. Só a conversa muda.

Passos talvez não resista ao PSD, tal como Seguro dificilmente resistirá ao PS. Aquele, porque está obrigado a deitar fogo à própria casa. Seguro, porque a sua casa, o PS, começará a arder antes de ele ter os meios suficientes para prevenir o fogo.

Entretanto, o país, no meio da fumarada, ou da fumaça, talvez tenha de pegar na máscara e fazer um rescaldo de emergência, quem sabe no meio das cinzas e nomear bombeiros com capacidades extra, neste tipo de situação, em que a luta tem de ser rija, mas eficaz.

Antes disso, é essencial que o PSD e o PS se preparem convenientemente, para que a guerra do futuro tenha dignidade e resultados que levem o país para onde o povo quer. Esta coisa do PSD ter um Relvas que fala, fala, enquanto o PS tem um Seguro que não diz nada, não pode continuar.

É urgente que alguém convença estas duas prendas a pensar no bem-estar do povo português. Alguém que os convença a trocar de posições. Seguro para adjunto de Passos e Relvas para comandar o Rato. Pode parecer um disparate, mas bem pior é deixar tudo como está.

Seguro iria travar Passos a ter aquelas tiradas de retórica que tão mal têm caído nos seus seguidores. Acalmava ‘o Senhor Primeiro-Ministro’ com a sua calma e a sua delicadeza, ao mesmo tempo que lhe dava todo o tempo do mundo para se redimir dos pecados passados e presentes.

Relvas levaria ao PS aquela chama linguística que tanto animaria as hostes desalentadas, subiria o tom de voz, lançaria projécteis incendiários contra o inimigo, reanimaria a esperança numa vitória que não deixaria de estar ali à mão de semear.

Depois, não seria necessário muito tempo, para que Relvas e Seguro assinassem um armistício e trocassem prendas de bons amigos, dando a Passos e ao país, a segurança e a tranquilidade que todos desejam. 

Claro que não seria para já. Nem no novo ano que já está morto antes de nascer. O futuro não passa por Seguro, nem a Passos pertence. Mas o PS precisa de um Relvas.