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afonsonunes

afonsonunes

30 Dez, 2011

A última do ano

Sinceramente, depois de dizer tantas coisas sérias neste ano que vai terminar em folia, como todos, aliás, sinto-me exactamente como se já estivesse a terminar o ano de 2012. Não consigo descortinar porquê. Talvez no meu subconsciente exista a convicção de que devia ter aproveitado para brincar com essas coisas sérias que fui dizendo.

Se não fui capaz de brincar neste mau ano de 2011, gostava de prever o que será de mim no fatídico 2012 que aí vem. Certamente que não encontrarei ponta de assunto por onde pegar, pois estou completamente desorientado com a ideia do que mais tenho ouvido aos sábios, de que as coisas não vão estar para brincadeiras.

Agora estou a imaginar a minha figura ao tentar continuar a dizer coisas sérias, como o fiz neste ano que vai acabar. Seria fazer de conta que nada tinha mudado no país, pois ninguém me perdoaria um disparate desses. Mas, estou mesmo a ver que, se por acaso me desse para brincar, estava bem encomendado, estava, com o país inteiro a chorar.

É evidente que, se o país inteiro está a chorar, é porque eu também estou a chorar. Mas, se eu estou a chorar, como poderia estar, ao mesmo tempo, a brincar? Já sei que estão a pensar que isto é uma brincadeira de mau gosto. Pois eu digo que não. Como sempre, estou a falar muito a sério, ainda que ninguém acredite.

Não posso garantir nada, mas estou convencido de que esta é a última seriedade que tenho neste ano. Porque, cá para mim, amanhã, dia 31 de Dezembro de 2011, é dia de me desforrar e ir para a pândega pois, segundo dizem os entendidos, no dia a seguir acaba o mundo. Não acredito que uma coisa tão grande acabe assim de repente para todos.

Desconfio que esses entendidos querem dizer lá na deles, que acaba o mundo para muita gente, mas não estão a pensar que acaba o mundo deles. Sim, porque o mundo deles não é o do comum dos cidadãos. Estes, na verdade, vão ver acabar o mundo em que têm vivido. Os entendidos não, vão continuar a encher-se no nosso mundo de misérias.

Como ninguém me garante que o mundo não acaba também para mim, nesse dia, tenho de rezar bastante pela minha alma, pois amanhã não vou ter vagar com certeza. É que eu sou muito previdente, penso nas coisas a tempo e horas. Não sou como esses irresponsáveis que só pensam no dia de ontem, e só vão pensar na morte, depois de terem morrido mesmo.

Pronto, já sei que coisas destas não eram para aqui chamadas mas, como de costume, de vez em quando, isto descarrila. Estou perdoado, não estou? É preciso não esquecer que esta é a última do ano. Portanto, ao fazer desta, tinha de me dar um ataque de seriedade, daqueles que me põem a enxugar os olhos e o nariz.

É preciso despejar isto tudo no dia de hoje, não vá o diabo estragar-me o dia de amanhã. Depois de amanhã, começa a tal seca do ano de todas as pragas, em que ninguém pode fazer nada, em que ninguém pode dizer nada, em que ninguém pode olhar para nada, por causa das tentações maquiavélicas que o destino lançou sobre as nossas desregradas vidas.   

E por aqui me fico. Não vale a pena desejar um bom ano, excepto àqueles que se sentem felizes por ter saúde. Que a tenham.