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afonsonunes

afonsonunes

06 Jan, 2012

Tem-te não caias

 

Esta simples frase tem um significado muito amplo e podia aplicar-se a inúmeros algarismos da nossa praça política, social e económica, isto para não generalizar ainda mais a questão. É que, para não cair, é preciso estar de pé, admitindo que a queda não é apenas um acidente físico qualquer.

Ter-se ou não se ter, pressupõe uma qualquer espécie de equilíbrio, mais sustentado pelo querer e determinação do equilibrista, que fruto de um fenómeno mais ou menos artificial. Ter-se numa posição qualquer, significa manter-se nessa posição, enquanto conseguir aguentar-se.

E, aguentar-se ou não se aguentar, é um dilema que preocupa muita gente de todas as classes e de todos os ramos de actividade, neste carrocel que, cada vez mais, gira sobre um eixo que, de tão quadrado, não nos dá mais que viagens com solavancos de fazer perder a compostura.

Agora, parece que está na moda os carros, os automóveis, claro, passarem a ter de nos transportar como se, também eles, tivessem rodas quadradas. Com aquela comodidade que os antigos carros de bois nos ofereciam, no tempo em que não havia outros para quase toda a gente.

Isto, porque o país está à beira de não ter pneus que não estejam furados. Aliás, o grande problema, é que o país está todo furado e, com tantos furadores, não se vê maneira de remendar os pneus, nem tão pouco quem, de tanto furar, já é um furo contínuo na sociedade.

Diz quem sabe que, Portugal inteiro, já está à venda. Ainda não fiz a minha habitual reflexão sobre a matéria mas, para já, não desdenharia vender muita coisa, se tal estivesse na minha mão. E, para começar, não hesitaria em vender os ruinosos negociantes que dominam os nossos mercados.

Quando digo ruinosos, não estou a referir-me aos interesses deles, mas do país, pois no que toca a gamanço, eles não deixam um cêntimo no estado, pois conseguem transferir tudo, mas mesmo tudo, para onde os que os ajudam, não consigam recuperar um chavo, quando instados a fazê-lo.

É que eles são tantos, que não há qualquer hipótese de serem chamados à ordem. Imagine-se que, por artes de pura magia, uma ou duas dúzia deles eram metidos à sombra. Que era lá isso, comparado com os seiscentos e tal candidatos que, de há seis meses para cá, já foram chamados.

Tem-te não caias pobre cidadão a quem se pede tudo e não se garante nada, para lá da vã promessa de que tudo vale a pena, mesmo quando não se vê no horizonte, próximo ou longínquo, aquela réstia de esperança que só o esforço combinado de todos podia garantir.  

Tem-te não caias país nosso, entregue a quem devia acabar com tudo o que ameaça o seu equilíbrio periclitante, mostrando que quem está lá em cima, faz o mesmo esforço que quem está lá em baixo. Esforço que se faz com exemplos e não com recriminações que só afastam quem faz falta.  

Tem-te não caias, Passos. Tem-te não caias, Seguro. O poder roda sempre, com maior ou menor velocidade, mas não garante lugares fixos, seja onde for e seja a quem for. A única coisa certa é que tudo passa, tudo muda. E para que alguém caia, basta estar de pé.