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afonsonunes

afonsonunes

19 Jan, 2012

Menino ou menina

Talvez não seja um exemplo muito convincente, mas que é um exemplo docinho e vistoso, não há qualquer espécie de dúvida. O pastel de Belém, vulgo, pastel de nata, foi apresentado como a salvação deste país de Álvaro, Passos e Gaspar.

Dois puros enganos num só parágrafo. O pastel de Belém não tem nada a ver com o vulgar pastel de nata, tal como este país que é Portugal, não é de nenhum Álvaro, nem de nenhum Passos, nem de nenhum Gaspar. Portanto, os primeiros enganos são exclusivamente meus.

O pastel de Belém nem sempre é docinho nem vistoso. Muitas vezes há quem tenha de o mascar com uma cara de enjoo que mete medo. Como se o dito pastel falasse. Porque há quem o entenda e oiça através do seu sabor, um rol continuado de azedumes que dão uma azia danada.

Não sei a que propósito mas, quando oiço falar o Álvaro, lembra-me um estribilho que foi muito assobiado em tempos que já lá vão. Dizia ele, ‘a caminho da Califórnia vai um chato aos trambolhões’. A Califórnia, evidentemente, é que não tem nada a ver com isto.

Nesse estribilho, também está desactualizado o ‘vai’. No resto, há ali qualquer coisa que toca a minha sensibilidade. A mim, sempre fui extremamente inventivo, soava-me melhor ‘Canadá’ em lugar de ‘Califórnia’ e ‘vem’ no lugar de ‘vai’, com ligeiras adaptações.

Os tempos, dos verbos, claro, é que ficam em contradição com a acção da minha imaginação, pois o chato, na verdade, já cá chegou. Portanto, nem sequer vem. Já veio. Quanto aos trambolhões, parece-me que isso são exageros de imaginações férteis.

Mas, se der mais uma volta ao texto, que é como quem diz, ao estribilho, também se pode pôr a hipótese de ‘a caminho do Canadá vai um chato aos trambolhões’. Compreensivelmente, isto não é verdade, visto que neste momento não há chato nenhum a viajar.

Contudo, está muito na moda dizer-se que, o que é verdade hoje, pode ser mentira amanhã, tornando viável essa viagem para daqui a três meses. Isto, porque há quem esteja num tempo de enganos e desenganos, tudo levando a crer que pode haver, entretanto, muitos partos prematuros.

As barrigas já estão crescidinhas e começam a aparecer as primeiras imagens pré natais nos monitores, muito imprecisas ainda, mais faladas que identificadas, quais nascituros que vão revolucionar os destinos dos seus mais chatos predecessores. 

Enquanto Passos acelera com prego a fundo, Gaspar e Álvaro não largam o travão de mão. Daí que o período de gestação esteja agora fixado nos três meses. Três meses em que tudo tem de sair. Para bem ou para mal das boas ou das canceladas viagens às origens.

Entretanto, a salvação desta esperança de sucesso, ou o fim triste desta já longa espera em agonia, está muito no sucesso, ou no fracasso, dos resultados promocionais do pastel de Belém. Afinal, uma coisa tão pequena, bem pode desenganar-nos de vez.

São três meses que, somados aos seis que já decorreram desde o acto, perfazem, precisamente, os normais nove meses para a decisão final que nos vai dizer se temos menino ou menina. Vamos saber, finalmente, se temos enganos ou desenganos.