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afonsonunes

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Se eu tivesse possibilidades, já teria comprado uma calculadora para fazer contas rapidamente sem me enganar. Especialmente agora que estou cheio de curiosidade em saber o resultado de uma multiplicação de trinta mil pessoas por cinquenta cêntimos.

É que eu sou muito lento nas contas, mesmo as de dois simples dígitos, como a soma de dois, mais dois. Evidentemente, quando entram milhares misturados com dezenas não tenho mesmo capacidade de resposta sem a respectiva calculadora.

Pretendia eu saber quanto renderá um peditório a trinta mil pessoas que, segundo cálculos muito fiáveis, se comprometeram a contribuir com uma moeda, para uma acção de benemerência qualquer. Se me não falha a memória, será para entregar a um futuro desempregado.

Os cinquenta cêntimos acima referidos não aparecem ali por acaso. O peditório não especifica que espécie de moeda os contribuintes do dito devem pôr na bandeja. Logo, eu estipulei que será uma média dos que dão um euro ou mais, com os que vão dar menos de cinquenta cêntimos.    

Sim, porque a vida não está igual para todos. Se estivesse, este peditório não seria necessário, logicamente, porque também não haveria o tal desempregado a precisar de ajuda. Mas, estou absolutamente certo de que toda a gente tem entre cinco cêntimos e dois euros para contribuir.

Aliás, até sou capaz de estar para aqui a fazer confusão de umas dezenas de contribuintes com os milhares que andam a assinar não sei o quê. Bem vistas as coisas, se calhar isso também não interessa nada, porque há pessoas que ainda estão mais confundidas do que eu.

A mim, nada me admira já, pois vejo que a confusão também já anda lá pelo alto quando, volta não volta, desce tanto cá para baixo, que até parece que se pega mesmo a membros do clube dos desempregados de longa duração. É lógico que os remediados ajudem nesta emergência.

Pois eu, com o meu sentido de justiça e compreensão, sugeria a todos os peticionários e a todos os contribuintes, que mudem de estratégia, abandonando a táctica de desgaste de energias sem resultado e mudem o sentido das vossas boas e beneméritas intenções.

Simplesmente, dispersem-se por tudo quanto sejam locais onde se trabalhe neste país e peçam a todos os empregadores, implorem a todos os empresários, que se esforcem por criar um posto de trabalho, mesmo com muito sacrifício, para empregar um infeliz ser humano.

Toda a gente sabe que não é com moedinhas que se dão, seja a quem for, que se sustentam famílias numerosas, mesmo que todos os seus membros sejam muito poupadinhos. Ou meter-lhes na mão uma lista de trinta mil solidários ou mais, que se conforta um ser humano desesperado.

Tenho a sensação que esta onda comunicacional que invadiu o país, que mobilizou toda a gente, positiva ou negativamente, dos mais próximos aos mais distantes, deve estar já a atravessar fronteiras, pelo menos, deve ter chegado hoje a Espanha e a seguir, a essa Europa toda.

Nem a propósito, acabo de ouvir um ruído estranho. Parece vir de França. Sim, é um riso malandro que já se ouve perfeitamente. Confirmado. Esse riso malandreco vem mesmo de Paris e ouviu-se, ‘toma lá mais cinco’. Deve ser cêntimos, com certeza.

 

 

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