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afonsonunes

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30 Jan, 2012

Portugal precisa

Se Portugal precisa de alguma coisa, os portugueses precisam mesmo dessa, ou de outras coisas, que lhe fazem falta para levar uma vida normal de gente que tem direito a pertencer a um mundo civilizado. Principalmente, os portugueses que nem ganham para comer.

Mas, os portugueses não precisam apenas de comer. Precisam de viver em liberdade, aquela liberdade que permita a qualquer cidadão defender-se de quem se habituou a viver à custa dos seus semelhantes mais incautos, menos instruídos ou, simplesmente, perseguidos.

Que a justiça em Portugal se encontra num estado vergonhoso é um sentimento generalizado do mais simples e modesto cidadão, que não pode recorrer a ela, até ao mais ilustre e poderoso graúdo que a manobra e distorce, através da distribuição do dinheiro que não lhe faz falta.  

Tudo a coberto de uma rede invisível de agentes das mais diversas origens e dos mais diversos intervenientes que, entre si, de modo mais ou menos concertado, acordam na decisão ou prescrição de todos aqueles casos que nunca mais acabam, ou acabam como se não tivessem nascido.

Manda-se falar de muita coisa que apenas serve para desviar atenções e manda-se calar quem se atreva a falar do que não convém. A ordem agora é: Calem-se! Manda-se averiguar aquilo que não prenuncia nada, mas manda-se ignorar tudo aquilo que está à vista de qualquer cegueta.

Assim, desde há muitos anos, os criminosos provados e alguns até julgados, passeiam-se impunemente, alegremente, rindo para quem gostava de lhes cuspir na cara. Isto enquanto alguns cidadãos são julgados na praça pública, só porque alguém julga que são criminosos.

Em Espanha há um juiz corajoso que decidiu enfrentar todos os poderes e todos os lóbis e, por isso, e só por isso, está a ser acusado e prestes a ser julgado pelo sistema que se sente ameaçado, precisamente, o sistema franquista, que ainda é muito poderoso em determinadas classes.

Refiro-me ao ex super juiz Baltazar Garzon que chegou a afrontar o falecido ditador Pinochet. Hoje, muitos milhões de espanhóis estão indignados, revoltados, com os passadistas que o querem ver atrás das grades, provavelmente, porque se não sentem seguros.

Em Portugal, não tivemos Franco, mas tivemos Salazar. Não temos franquistas, mas temos passadistas que não suportam ver diminuídos os seus poderes discricionários em relação a tudo e a todos que se atravessem no seu caminho.

É por isso que estamos a precisar de um homem acima deste sistema, não do tão falado sistema do futebol, que é real, mas do sistema que paralisa a justiça, ou que a deforma, ao correr das conveniências exclusivamente de natureza política, já que outras não se vislumbram.    

Em Portugal, esse homem de que se precisa, não existe. Em Espanha existe, mas não o querem lá, ou querem metê-lo na prisão, o que é um desperdício. É uma oportunidade sem par. É uma oportunidade única. Haja alguém que o vá buscar.

De certeza que passaríamos a ter um juiz com dois olhos abertos. Um olho aberto para cada lado, dos beligerantes em confronto. Portugal precisa de um Baltazar Garzon.