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afonsonunes

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Está a falar-se muito de tolerância de ponto, como se no país se vislumbrasse alguma tolerância, ou se os pontos de que o país precisa estivessem ali ao virar de uma qualquer esquina, de uma qualquer rua, que não seja um beco sem saída. 

Quanto a tolerância, há muito que estamos conversados, agora com especial relevância para um ‘pontarrão’ que veio lá das neves canadianas para nos ensinar a conviver em democracia plena, que é aquela em que as asneiras que a gente diz é que são as verdades que temos de engolir.

Ainda se fossem umas pieguices vulgares de alvarinhos invulgares, a gente até comia e calava sem olhar ao mau gosto, ao mau sabor e até ao mau cheiro, que nos leva a um ou outro vómito de incontinência verbal, embora não nos falte vontade de não os incomodar.

Porém, tudo tem os seus limites e a coisa parece já ter indícios de epidemia. Sobretudo, o mau gosto alastra como rastilho lá para os lados dos palácios, que é de onde sopram os ventos de intolerância que, notoriamente, vão substituindo a tolerância que deviam difundir.

Acabar com a tolerância é já uma certeza que está a provocar muita azia que, por sua vez, cria uma onda de incentivo à intolerância em quem, por motivos inconfessáveis, anda mortinho por vazar toda uma espessa camada de ódios acumulados ao longo de anos de frustrações.

Azia provocada por anos de estômagos revoltados pela ganância de verem ali ao lado quem, febrilmente, imaginavam que se amanhava, sem que sobrasse nadinha que confortasse os seus olhos em bico e os seus buchos encolhidos pelas contracções da fome mental.

Agora, que do nada passaram a ter tudo, da tolerância viraram para a intolerância, seguiram para a ganância e não tardou que passassem à fase da arrogância. Aqui chegados, agora de barriguinhas cheias, com os olhos a lampejar fartura, voltam-nos para a miséria e sorriem com desdém.

São muitos, estes pontos que, desdenhosamente, transformam uma necessidade inegável do país, num prazer mórbido de anúncios de descalabros e de mentiras, que os levarão, a eles e a nós próprios, a um beco sem saída, onde as suas piedosas loas serão sepultadas.

Custe o que custar, vamos ter de ser mesmo muito piegas para que nos deixemos embalar neste sonho carnavalesco euro afro canadiano, com ligeiro sotaque transmontano e linguagem clara de Massamá que, ao que julgo saber, tem muitas afinidades com palhaçadas de Oeiras city.

Repito que tudo isto são alusões carnavalescas, marcadas pelas intolerâncias de um ponto, que sou eu, tão torto como os direitos humanos de que alguns desumanos não se cansam de falar. Como diz o povo, povo que já foi, no carnaval ninguém leva a mal.

Ora, assim sendo, senhores de todos os poderes, bem podeis estar orgulhosos da salvação deste país a que deitastes mãos, dando uns bons pontapés na palhaçada carnavalesca e dando ao povo, o melhor e o maior exemplo de como vai ser o vosso trabalho nesse dia.

Como não podia deixar de ser, a vossa terça-feira de carnaval, vai ser uma trabalheira danada para nos pregarem mais umas piedosas partidas a condizer com a cómica tradição do dia.