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afonsonunes

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Os portugueses sabem muito mais que alguns indígenas que pensam que eles não sabem nada. Depois, julgam que podem impingir-lhes a sua ignorância e, sobretudo, a sua má-fé, em matérias tão sensíveis como a aceitação ou a recusa de tudo o que tem a ver com a sua vida.

A sua vida real, claro, não a vida de sonho ou de ilusões que os portugueses bem sabem do dia-a-dia quanto é diferente da dos indígenas, que até são portugueses também, mas comandados à distância, não para servir os seus concidadãos, mas para hipotecá-los aos seus interesses.

Os portugueses sabem, lembram esses indígenas a todo o momento, que só lhes dizem coisas do seu interesse, mesmo quando lhes estão a mentir com quantos dentes têm na boca. Dentes que só não caem de podres com as mentiras que suportam, devido ao forte poder dos dentífricos.

Os portugueses sabem perfeitamente quem são os indígenas que lhes vendem banha da cobra através de promessas de bem-estar, sabendo que este será sempre para os próprios vendedores, que de há muito se venderam a quem quer compradores pobres e, acima de tudo, submissos.

Pobres e submissos, mas também muito unidos entre si e, como não podia deixar de ser, muito unidos aos indígenas que querem a exclusividade da sua condução, através de um caminho que os conduzirá à pretensa conquista de um paraíso que nunca será o seu, mas o deles.

Os portugueses sabem que a união pretendida, e tão apregoada, parte invariavelmente daqueles que sempre praticaram a desunião, quando se tratasse de serem eles a unir-se a alguém. Esses gostam e apreciam muito a união que traga todos os outros para a defesa da sua causa.

Os portugueses sabem que não está apenas uma causa em questão. As causas são várias mas, principalmente, em questão, estão apenas duas: a pobreza e a riqueza. Ambas indissoluvelmente ligadas, mas nunca numa relação leal e muito menos justa.

Os portugueses sabem que os pobres criam riqueza e sabem também que muitos ricos criam pobreza. Mas também sabem que há pobres que são, ainda hoje, escravos de ricos por motivos vários. E sabem que há ricos que não imaginam o mundo sem milhões de pobres para os servir.  

Os portugueses sabem que é nesta sociedade que vivem e sabem que se pode estar dignamente integrado nela, tanto na pobreza como na riqueza. Assim, não houvesse vendedores de ilusões, criadores de divisões sociais insanáveis, mesmo em nome de uniões hipócritas e de má-fé.

Os portugueses sabem o que é fazer sacrifícios. Conhecem perfeitamente quem os faz e quem os manda fazer. Mas também sabem que quem os manda fazer, não os faz, ou se os faz, é no sentido de obrigar os outros a fazê-los, ou tentar convencê-los de que têm de os fazer.

Os portugueses sabem que a união faz a força, tanto no sentido da construção, como no sentido da destruição. Os portugueses sabem que é mais fácil destruir que construir. Daí que os vendedores de ilusões não devam iludir-se a si próprios.

Quando se pede união a quem constantemente se massacra, pode bem acontecer que a união se crie onde menos a desejam aqueles que mais apregoam que os portugueses sabem.