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afonsonunes

afonsonunes

16 Fev, 2012

Ouvi dizer

Se eu fosse tentar dizer aqui, tudo o que tenho ouvido só na última semana, não havia tempo nem pachorra para o fazer. Diz-se tanta coisa, sobre tantos assuntos, de tantas origens, que o mais atento dos observadores e ouvintes não tem capacidade para reter tudo.

Portanto, ao acaso, vou seguindo uma linha que, não sendo reta nem curva, irá ondulando consoante os desígnios da minha cabecinha pensadora. Obedecendo sempre às minhas fontes que, sem dúvida, são muito mais cristalinas que muitas das que brotam veneno puro.

Ouvi dizer que há um jornal diário cá no burgo que tem um quadradinho reservado na primeira página onde aparece diariamente o mesmo nome, fazendo uma espécie de rodízio com os assuntos que já vêm de dias, meses e anos atrás. Não, o jornal não é chato. Chato é quem o lê.

Ouvi dizer que temos um PGR que anda a cometer crimes na parte da justiça de que é responsável, só porque não manda prender quem esses acusadores teimam em condenar por via direta. A sentença varia consoante o génio de cada um.

Agora, imagino eu, se o PGR pudesse condenar, prender ou exilar quem ele pensa que fez das boas, quantos não estariam já, a esta hora, fora de lugares que envergonham o país, pelo que não fazem e já deviam ter feito, pelo que recebem e não ganham e pelo que dizem e não deviam dizer.    

Também já ouvi dizer que o PGR é o elo mais forte de uma justiça que está pela hora da morte, onde esse elo resiste à pressão de não se deixar apodrecer no meio de interesses que vão da mais que evidente partidocracia, até ao corporativismo mais radical.

Ele há coisas que até tenho um bocadinho de vergonha de dizer que ouvi. Mas lá que já ouvi, já ouvi, sim senhor. E aquilo que se ouve não é proibido dizer, por mais que isso vá incomodar aqueles que já de si, andam sempre incomodados com o mesmo assunto.

Pois já ouvi dizer que temos um primeiro-ministro muito pior do que o anterior. Ainda se tivesse ouvido que era, simplesmente, pior, vá lá, vá lá. Mas eu ouvi muito bem: muito pior! Claro que estas coisas não vêm no tal jornal que tem lá um quadradinho reservado.

Diz-se por aqui que o governo está a tentar fazer aquilo que o governo anterior negociou, aproveitando os méritos do que lhe interessa como coragem sua e recusando responsabilidade nos aspetos mais impopulares. Daí que haja reformas negociadas que custam a sair.

Tal como se vai dizendo que a justiça anda a dar a volta à cabeça dos governantes e dos anti PGR, porque não há meio de o verem catequisado, nem há maneira de o verem pelas costas. Coisas difíceis, dizem as más-línguas, e que eu vou ouvindo sem saber se engulo ou se vomito.   

Até já ouvi dizer que temos um PR assim-assim. Aqui, tenho as minhas dúvidas se realmente terei ouvido bem. Havia vozes simultâneas à minha volta. Umas, indignadas, falavam no bodo aos pobres do BPN, outras, sorridentes, lembravam a sábia ajuda na salvação económica do país.

Agora, há uma coisa que não ouvi. Não ouvi, mas já vi que os falantes não andam todos satisfeitos. Talvez eles estejam como eu. Não sabem se devem acreditar no que ouvem, ou se devem acreditar no que veem.   

 Os que dizem, andam baralhados, os que ouvem, podem estar a ser enganados e os que veem, começam a estar assustados.