Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

25 Fev, 2012

Reformas

Falar de reformas é o mesmo que falar de buracos. Ambos os assuntos são tão vastos que assustaria mais que a conversa dum chefe de governo, e um pouco menos que a sabedoria de sindicalistas à beira de serem promovidos a decisores, em definitivo, de tudo o que interessa ao país.

Não pretendo trazer para aqui as reformas dos reformados, porque isso é dinheiro. E dinheiro é coisa que só existe para aqueles que já têm demais. Logo, do que não existe, não adianta falar. Do que existe em excesso, e é muito, mais vale estar calado, senão ainda me calam à força.

Estive quase tentado a perguntar a quem soubesse, quanto caberia de reforma a uma funcionária que desempenhou determinado cargo, sob proteção ministerial da mana, durante o longo período de vinte e três dias. Desisti, porque essas, são coisas banais, mesmo normalíssimas.

Nos últimos dias tenho ouvido grandes achegas para a reforma da justiça. Aquela justiça que ainda há quem elogie, bem como a alguns dos seus mais eminentes incendiários. Sobretudo, aqueles que terão lá muito no fundo do seu subconsciente algum problema de areia no sapato.

É verdade que há quem esteja cheio de coragem na justiça. Coragem para defender o seu. Coragem para atacar a pachorra de quem tem de os aturar o dia e a noite inteiras, sabendo que os interesses estão tão entranhados que, no que lhes toca, nem as leis se podem cumprir.

Estão prometidas reformas de fundo mas, lá no fundo, tudo indica que não será possível tocar no núcleo central do cancro que, reconhecidamente, teria de ser expurgado por inteiro. Não tocando nas raízes, elas tomarão conta do que restar de saudável.

Por mim, que tenho uma experiência acumulada de ciências ocultas, diria que estes e outros problemas que mantêm o país em coma profundo, só têm uma solução. O reconhecimento de que, para curar um mal, nada melhor que serem os agentes causadores a promover a cura.

Isto equivale a dizer que, se as hierarquias não conseguem pôr ordem nas coisas, então submetam-se às estruturas sindicais que as contestam. Para grandes males, grandes remédios. Com a vantagem de seguirem as boas práticas governamentais de acabar com as chefias.

Com a garantia de que as estruturas sindicais não venham a reivindicar os vencimentos daqueles que vão substituir. Assim é que é: poupança e eficácia. De caminho, também se podia acabar com os sindicatos que veem os seus dirigentes promovidos a chefias.   

É que não faz sentido nenhum, haver estruturas paralelas. Senão, às tantas, o chefe e o sindicalista, a mesma pessoa, entravam em conflito um com o outro. E, não fazia sentido nenhum, que o chefe dissesse uma coisa no emprego e outra no sindicato.

Mas, tal como as coisas estão, é que não tem piada nenhuma. Admitindo que o chefe é sério mas não consegue sobrepor-se ao sindicalista interesseiro, então é preferível passar a ter um interesseiro que consiga fazer o que o chefe não deixa.      

E não me venham dizer que isto não é sério. Porque ser sério, e não poder agir como tal, mais vale dar o lugar a quem nunca soube ser sério, mas é capaz de agir, fazendo de conta que o é. Vá lá, venham de lá as reformas.