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afonsonunes

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Pois, bem podia dizer isto de outra maneira, mas esta, está mesmo a condizer com o que se vai ouvindo de todos os lados para onde voltemos os auriculares ou assentemos os olhos nas alarvidades que andam no ar como moscas varejeiras em busca de um poiso que lhes garanta as condições necessárias para a sua postura larvar.

A frase do título desta cronique ta não foi inventada por mim, pois apesar de já ter inventado muita coisa, ainda não tive a felicidade de chegar à paternidade de um sucesso desta natureza. Que bem que eu gostava de me acreditar em muitas coisas, entre elas a confiança numa vida melhor, que alguns homens bem-intencionados começam a apregoar.

No entanto, acredito-me piamente que em época de defeso cinegético não deixamos de ouvir tiros por tudo quanto é sítio. Cá está outra coisa que não fui eu que inventei: nem os tiros, nem a pólvora que faz os puns. Ainda ontem, em plena emissão dessa coisa televisiva que se chama Prós e Contras, um governante se queixou de que estava a ser alvo de tiros vindos dos dois que tinha na sua frente.

Curiosa esta constatação de tiros a alvos indiferenciados. Sim, porque já da boca do mais sensacional comentador da TVI, se tinha soltado o tiro ao Álvaro. Mas também se tem falado muito no tiro do Cavaco ao Sócrates, no tiro dos caçadores furtivos ao Cavaco e agora, a novidade do dia, que é o tiroteio do sindicato dos juízes contra não sei quantos ex-ministros. 

Não sei porquê, mas não se me acredito que num dia não muito distante, não se volte ainda o feitiço contra o feiticeiro, pois há por aí muitas balas perdidas que ainda acabam em perigosos ricochetes. E não é possível controlar, mesmo pelos mais obsessivos controladores, o percurso errático de projéteis a ricochetar. E depois, há muitos telhados de vidro que podem estilhaçar de repente.   

A verdade é que desde há muito tempo que os juízes e os seus sindicatos estão debaixo de fogo, debaixo de tiros, portanto, de uma grande parte da população que se interroga para quando se respeita mesmo o foguetório que constitui essa coisa esquisita de fazer do povo alvo de tiros de injustiças e, ao mesmo tempo, ser alvo dos tiros desse mesmo povo.

É por isso que não se me acredito que não haja muita pólvora seca nos bolsos de todos os alvos e de todos os atiradores, para andarem nesta fona de espingardear por todos os canos em busca de peças que lhes saciem os apetites. Aliás, não me entra na culatra que se possa ser, condignamente, caçador e peça de caça, ao mesmo tempo.

Já o meu vizinho Marcolino também não se acredita que o seu amigo Papandreu ande por aí a mandar umas bocas só porque se viu grego no país dele. Até eu fiquei muito admirado com essas bocas, embora isso só revele que ele não conhece o nosso impecável Álvaro e, sobretudo, o nosso imparável Gaspar. Há pessoas assim. Não aprendem porque não querem.

É claro que o meu vizinho Marcolino o meteu logo na ordem. Então um grego, sobretudo um Papandreu qualquer, ignora que toda a Europa e o mundo sabem, confirmam e garantem aos pés juntos, que nós não somos como ele? Mas, se por acaso não se quer acreditar, ou se desconfia dessa gente toda, não pode é ele deixar de se acreditar no nosso PM e no nosso PR. Gente boa. 

Não se pense que foi por acaso que eu disse gente boa. Embora já tenha ouvido isso em qualquer lado, não posso deixar de pensar que não são só os dois maiores que merecem essa distinção. Gente boa é o que mais nós temos, especialmente agora, neste período de reconstrução nacional em que eu próprio não se me acredito que não é desta.