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afonsonunes

afonsonunes

20 Mar, 2012

Muito preocupado

É verdade que estou muito preocupado com o preço dos combustíveis, que não deixa de subir, mas conforta-me saber que ainda há quem esteja muito mais preocupado do que eu. Sobretudo, porque calculo que esses sobre preocupados, ainda podem fazer menos que eu, para que os preços não se excitem ao mesmo nível das preocupações deles.

Tenho a certeza que a maior das razões que levam muitos portugueses a dar o fora daqui é, sem dúvida, a sua grande preocupação com o que veem estampado no rosto dos que vão ficando por cá. Principalmente, o que veem no rosto dos principais responsáveis. Preocupações e mais preocupações, que até levam esses responsáveis a esquecerem as preocupações daqueles para que não olham.   

Por mim, estou muito preocupado com as reformas que, já se vê, não avançam por falta de combustível cerebral. Não sei se isso se deve a qualquer aumento brutal dessa espécie de energia, provocando, inversamente, uma diminuição da sua eficácia. Há pessoas assim. Quando olham para os preços das coisas, quase desmaiam. E lá se vai a energia que os devia mover.

Mas, também estou preocupado com as reformas que se traduzem nos trocos a que elas vão ficando reduzidas de mês para mês, apesar dos seus beneficiários terem pago uma boa nota durante toda a sua vida de trabalho. Não tenho dúvidas de que há quem esteja muito mais preocupado que eu pois, logicamente, quando deixarem os seus bons poisos também vão para o sofrimento.

Em contrapartida, não estou nada preocupado com aqueles reformados que têm muitas e grandes reformas e a quem ninguém, muito justamente, não reduz um cêntimo. Dizem os mais preocupados, como responsáveis que são, que não é legal. E eu concordo com isso, pois sei perfeitamente que as leis só servem para a plebe. A aristocracia tem regras próprias.

Agora, as minhas preocupações maiores estão no facto de ter verificado que há pelo menos um ministro que entrou numa rotunda. Apesar de a sua velocidade ser muito baixa, entrou a contorná-la, continua a contorná-la e já está visto que não consegue sair dela. Estou preocupado, claro, porque ele embirrou com as rotundas e com quem as não fez.

Estou preocupado com o futuro das rotundas que o ministro, mais cedo ou mais tarde, acabará por querer construir, apesar da sua aversão atual por esses monumentos. Mas, quando se apaixonar por elas, vai descobrir que, afinal, irá encontrar as preocupações dos autarcas que, orgulhosamente lhe vão dizer, sai daqui, que isso é connosco.

E as minhas preocupações aumentam porque, além desse ministro que já não conta, haverá outros há beira da rotunda. Imagino que o primeiro já tenha a cabeça à roda com tanta rotação. Portanto, ele só poderá dizer que está muito preocupado com as rotundas e com os ministros que têm a fixação de entrar em órbita dentro delas.

Tenho de confessar que estou bastante preocupado que o país já nem tenha um estaleiro para arrecadar as tralhas das obras que são imprescindíveis em qualquer chafarica, quanto mais num país. Isto, apesar dessas tralhas valer mais que o estaleiro que vai à vida com tudo lá dentro, incluindo toda a gente. Calma, que eu não disse que o, ou os ministros, estavam incluídos.      

E na verdade não estão incluídos, embora não perceba porquê. Mas percebo que estão todos muito preocupados. Talvez porque pudessem arranjar um preço um pouco superior, na outra alternativa. Mas, o nosso país, o país que também ainda é deles, continua a ser muito melhor alternativa que ir parar à Venezuela ou à China, por exemplo. Digo eu.

Temos um país vazio de coisas verdadeiramente nossas. Mas temos um país cheio de coisas que já foram nossas. Até o país já deixou de ser verdadeiramente nosso. Agora, ninguém nos ganha a ter gente preocupada. Afinal, eu não estou minimamente preocupado.  

 

 

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