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afonsonunes

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Espero sinceramente que haja mais voluntários dispostos a pegar no apito de modo a convencer os árbitros portugueses de que não são os únicos a ouvir das boas quando metem água, de propósito ou nem por isso, a começar pelos apanha-bolas e a acabar nos presidentes dos clubes. E a própria bola não deixa de ser mimada com termos como, bola quadrada ou bola fora.

Portanto não se convença ninguém que é com ameaças de meter o apito no bolso, que toda a gente vai ficar caladinha a ver a continuação dos jogos ganhos, empatados ou perdidos, graças a apitos que silvam muito, silvam pouco ou, o que também acontece sem ser por acaso, não apitam mesmo nada. Tudo, segundo os seus donos, com a melhor das intenções.

Eu, que daqui me ofereço para apitar, repito, não vejo qualquer inconveniente em que os árbitros ofendidos fiquem em casa, mas definitivamente, porque isto de parar um domingo ou dois e depois voltar, para continuar com as ameaças, só porque alguém lhes deu umas assobiadelas ou mandou umas bocas, ainda que foleiras, não adianta mesmo nada.

Significa isto que, a querer calar tudo e todos que ofendam a honra de quem a tem, mas também de quem, eventualmente, a não tenha, levaria a que estariam sancionadas todas as batotas que existem em todo o lado, mas para as quais há, e tem sempre de haver penalizações, porque todos os criminosos, maiores ou menores, argumentam sempre, com boas ou más desculpas, para os seus atos.

Gostava que alguém me dissesse como se prova que um árbitro errou sempre sem intenção de prejudicar alguém. É verdade que todos nós erramos, mas também é verdade que pagamos quase sempre pelos nossos erros ou, no mínimo, estamos sempre sujeitos às consequências deles. Então um árbitro que adultera resultados nem sequer pode ser considerado moralmente culpado?

É que um erro desse tipo pode tirar muitos milhões da posse de um dos contendores, para os meter no bolso do outro contendor. Começa logo por estar errado, que nunca seja possível anular e repetir um jogo falseado grosseiramente. Ora, isso é colocar um árbitro no papel de infalível, coisa que todos sabemos que não é. Como também não se admite que alguém seja impunível.

Então, o país assiste a greves com ruas cheias de gente contestatária e não acontece nada, com o pretexto de que isso não resolve os problemas deles, nem tão pouco dos que nada contestam. Com razão, ou sem razão, esses argumentos frustram o sentimento de revolta de muitos milhares de pessoas que se sentem injustiçadas, e sabemos que muitas o são.

É caso para perguntar se uma, duas ou três dezenas de árbitros, param obrigatoriamente toda a atividade futebolística no país inteiro. Só se quiserem admitir que apenas esses é que são capazes de fazer bem, aquilo que, reconhecidamente, tanta gente, de todos os quadrantes, tem considerado como, em muitas vezes, ao longo dos anos, tem sido qualificado como muito mau.

O que talvez não seja difícil deduzir é que a inevitabilidade se serem estes os insubstituíveis, se deve a serem estes que já têm as clientelas bem definidas e a sua substituição iria criar o caos nos clientes mais importantes. Depois, os subclientes também perderiam a orientação, porque, cortadas as redes, todas as comunicações ficariam impossibilitadas de funcionar.

Parece até que este problema dos árbitros é muito mais importante para os ministros ligados ao futebol, que resolver problemas de segurança das populações, já para não falar na resolução de problemas de corrupção e compadrios que minam a sociedade em geral. Que abundam, a olhos vistos, no futebol e anda de braço dado com tantos dos políticos.

Sem dúvida alguma que em tudo isto, andam votos no ar. Os dirigentes do futebol, dos clubes às ligas e à federação, precisam de votos para se manterem onde possam angariar votos para aqueles que depois, no governo e nas autarquias, manobrem os cordelinhos que a todos interessa que não lhes saiam do raio de ação da sua, quantas vezes, nefasta influência.    

Eu, que já apitei todo o meu jogo, daqui sugiro que, quando os árbitros disserem que não vão apitar jogos e depois forem, sejam os adeptos a ficar em casa, para que esses jogos decorram de harmonia com a tranquilidade da conveniência.