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afonsonunes

afonsonunes

28 Mar, 2012

Felizmente, salvo!

Era uma pena deixar dar o bafo a algo que nos custou os olhos da cara na sua salvação, após a primeira investida de uns tantos assaltantes de gravata a condizer com as camisinhas e as fatiotas bem engomadas e reluzentes. Nem precisaram de máscaras. Tão pouco empunharam qualquer arma, nem mesmo daquelas de plástico que só servem de adereço.

Felizmente que então se viu que havia um buraquinho que era preciso tapar para que não se desse aso a que uma ligeira corrente de ar constipasse uma onda de gente que não tinha culpa nenhuma dessa pequena ocorrência. Infelizmente, não se conhecia então o buracão que se descobriu a seguir, e quem estava para lá dele. Salvou-se o buraquinho, abriu-se o buracão.

Felizmente, esta segunda tentativa de salvamento foi um sucesso tão grande que provocou um regozijo incontido do salvador, só porque tapar o buracão custou apenas deixar abertos muitos milhares, ou milhões, de buraquinhos nos bolsos da generalidade dos portugueses. Mas, felizmente, deixou bem reforçados os bolsos de todos aqueles que já haviam sido salvos da primeira vez.

Felizmente que o salvador está de consciência tranquila. Felizmente que alguém, bons felizardos, conseguiu, mais uma vez, receber de mão beijada, muitos, muitos milhões, em troca de apenas quarenta. Isto, a mim, faz-me lembrar, por associação de ideias, aquela história do Ali Babá e os quarenta ladrões. História que, sinceramente, já nem recordo, para lá do nome.

Fazendo um pequeno esforço de memória sempre recordarei que os quarenta ladrões da história sempre conseguiram fugir, sem antes apanharem um grande susto dentro dos potes onde se escondiam, perante a ameaça de ficarem queimados em azeite a ferver. O chefe deles, porém, não teve a mesma sorte pois foi entregue aos guardas do rei.

Por cá, como não há rei nem roque, os quarenta ladrões nem sequer apanharam qualquer susto. Andam por aí. Se calhar até são mais de quarenta. É muito difícil contá-los porque nem todos usam os mesmos emblemas na lapela. Mas, pior ainda, é o facto de não haver apenas um chefe que se possa entregar a alguém que também não temos, infelizmente.

Contudo, apesar de todas estas limitações do nosso fado, temos o nosso salvador daquela coisa que já esteve salva, depois voltou a ficar moribunda e, finalmente, salva através de uma operação de alto risco que vai ficar na memória de todos os portugueses que amam a sua pátria e, concomitantemente, (gosto deste termo) todos os seus heroicos salvadores.

Alguém disse há dias num programa de televisão que nós estamos a viver agora o que se passou na Itália há vinte anos. Isto em termos genéricos e não em termos de crise. Alguém replicou a propósito que daqui a vinte anos temos cá o Berlusconi. A ideia é que andamos atrasados vinte anos. Quem sou para dizer se estas previsões serão fiáveis ou não.

Mas sou muito bem capaz de prever que até os relógios adiantam, quanto mais as coisas boas e más. Infelizmente as coisas boas atrasam quase sempre, enquanto as más, geralmente adiantam-se no tempo. Partindo deste raciocínio, cem por cento meu, seguramente que o Berlusconi já cá chegou, embora se mantenha ainda no anonimato. Mas, já deu sinais de vida.

Felizmente que o nosso Berlusconi, ainda incógnito, não é um mau sujeito para toda a gente. Tem os seus defeitos. Poucos. Mas tem muito dinheiro para dar a quem o seguir com a alma e com coração. Portanto, alma até Almeida e coração de Ricardo Leão, o resto virá a seguir, muito antes de vinte anos. Entretanto, felizmente, temos um salvador.