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afonsonunes

afonsonunes

30 Mar, 2012

Com licença, sim?

Respeitosamente, estou a pedir licença para entrar. Procedimento normal de quem tem como hábito ser bem-educado, embora uma ou outra vez se permitam aquelas exceções resultantes de alguma distração de quem contata connosco, quando está virado das avessas. A verdade é que estou agora a pedir licença sem saber ainda por onde vou entrar.

 

Certamente que terá que ser pela porta, porque quem entra pela janela não será bem-educado com certeza. Ora cá vou eu pois, ao pedir licença, tive logo o cuidado de acrescentar o permissivo sim, não fosse alguém pretender que eu ficasse eternamente à espera de falar. Entretanto, podia dar-me uma veneta qualquer e ir-me embora calado que nem um dos do Rato.

 

Ao que me constou, anda por ali muita gente calada para não comprometer decisões passadas de um agora ausente em parte certa. Também, só me faltava ouvir calamidades como esta. Então, em todo o Largo do Rato as línguas prenderam-se agora, quando podiam ter falado a tempo de evitar aquilo que de momento consideram necessário calar?

 

Um pouco de decoro não fica mal a ninguém. Porque não é difícil recordar como o tal ausente em parte certa, recolhia e recolheu até aos últimos dias da sua liderança, uma quase, para não dizer total, unanimidade. Ainda está na memória, certamente, de quem a não tem curta, a acusação dos contras de fora, de que aquilo era mesmo unanimismo.

 

O conceito de que as coisas correram bem ou mal não está em causa. O que está em causa é que aqueles que agora calam a boca para não comprometer outrem, não foram então capazes de levantar a sua voz contra quem, e de quem, só agora querem demarcar-se. Só que ainda agora não são capazes de o fazer de forma clara, especificando as suas opções alternativas.

 

Em primeiro lugar, o líder atual do Largo do Rato usa o argumento de que não assinou, mas cumpre, com uma hipocrisia de se lhe tirar o chapéu. Quando da assinatura por parte do outro, não me recordo de alguém de destaque desse largo se ter oposto frontal e declaradamente a essa assinatura.

 

Parece-me pois que esse argumento de que não assinou, mas cumpre, é mal-intencionado, embora aparente dar um ar de seriedade que só engana quem vai empurrado na onda. É por isso evidente a intenção de não se assumir como residente do Rato no passado, querendo marcar no Rato de agora, uma posição de residente vindo de fora.

 

Em segundo lugar, é de uma baixeza sem qualificação, dizer que se tem de estar calado para proteger alguém. Não, assim não se protege, acusa-se. Toda a verdade tem de estar sempre na mó de cima. Se a verdade é mesmo verdade, ou liberta ou condena. Esconder a verdade é um ato de cobardia e uma traição a toda a sociedade, em casos como este.

 

E, já agora, com licença para entrar na outra porta de outro largo. É muito feio estar sempre a bater no Largo do Rato, como se Lisboa fosse apenas isso. Acontece que o país nem é só o Rato, nem tão pouco é só Lisboa. Depois, é desonesto dizer que não se bate, mas sempre que não se arranja melhor desculpa para o indesculpável, lá vem o batuque da culpa para cima do Rato morto.              

 

Porém, quando se quer dar uma imagem de união do país em torno do que convém, lá temos o choradinho para que o Rato não fuja e contribua para a salvação da responsabilidade que já não lhe cabe, e da imagem exterior da qual está constantemente a ser afastado. O Rato roeu a rolha da garrafa, mas alguém está fazer a garrafa em fanicos. Com licença, com esta me vou.    

 

 

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