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afonsonunes

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03 Abr, 2012

Bitolas

É bem provável que haja quem esteja a pensar em carris para comboios e até quem já veja locomotivas a apitar e a circular na ferrovia de Sines com muitos vagões carregados de combustíveis que, não tarda, não fazem lá falta nenhuma. Obviamente, se os postos de venda fecham e os consumidores vão abastecer-se a Espanha o país não precisa de comboios de Espanha para Sines.

Este é um juízo de alguém que tem a tola estreita e, consequentemente, aprecia as coisas a curtas distâncias, como são as que se verificam entre Sines e a fronteira espanhola. Também não se pode falar para lá dela, pois as bitolas não são compatíveis com as tolas de lá e de cá, motivo porque, como de costume, em lugar de comboios deviam antes falar de carros à frente dos bois.

Só espero que as brilhantes tolas que mataram o TGV e todas as hipóteses de alta velocidade, tenham o bom senso de aprofundarem os estudos para a construção do novo aeroporto à luz da nova realidade energética. É que parece evidente que não dá, fazer um aeroporto em Alcochete e ir buscar combustíveis com jerricãs a Espanha, tendo em conta a falta de bitola.

Então, a minha mente muito mais brilhante que a deles, apesar de ter a tola mais estreita, resolveu partilhar a minha solução que me parece sensata e despretensiosa. O aeroporto de Alcochete deve ser desde já ultra congelado e guardado no mesmo gavetão do TGV. Devem ser feitos novos projetos, oriundos de tolas mais largas, mas construído do lado de lá da fronteira.

É evidente que a poupança nos combustíveis para aeronaves, em pouco tempo compensa as alterações bitolares. É que fazer obras não custa, o que custa e muito, é acertar nas tolas que fazem os bonecos no papel. Agora, como tantas vezes acontece, é preciso que alguma tola mais avantajada não se esqueça de comprar os terrenos aos espanhóis. E fazer as escrituras direitinho.    

É verdade que no país temos muita tola europeia e muita tola exclusivamente nacional. É muito difícil fazer comparações entre elas. Sobretudo ao nível da eficácia do produto que cada uma delas gera. Mas já é muito fácil verificar que, juntando umas com as outras, dá as celebérrimas bitolas, que segregam uma espécie de biomassa que só tem servido para encher pneus.     

Daí que tenhamos de fazer um exame muito minucioso à bitola intelectual das tolas que têm passado o seu tempo a pensar em coisas tão voláteis como estas dos projetos e contra projetos, de aeroportos onde há combustíveis baratos ou caros, ou onde os carris têm bitola decente ou indecente. Porque cada vez que decidem há sempre tolas que descobrem novas vantagens e velhos inconvenientes.

E assim não vamos a Sines, nem a Alcochete. Não vamos de comboio por causa da tola de uns e da bitola de outros. Não vamos a Alcochete porque os bois continuam a pastar nos verdejantes campos de pastagens onde já devia estar o aeroporto. Acabamos por andar sempre no vai vem do caminho da fronteira para encher os depósitos de combustível.

Mas isto também não dura sempre e as tolas de maior bitola ainda não perceberam que não tardará o dia em que também já não vai haver carros, porque já se vendem metade dos que se vendiam ainda há pouco tempo. Portanto, os sucateiros já estão à espera dos que ainda rolam a caminho da fronteira. Nem tudo isto é mau: está cada vez melhor para os ambientalistas.

E é assim que vamos tendo um país cada vez mais limpo. Não há fumos poluentes dos carros nas estradas e nas cidades do território. Quem quiser ter carro que vá para o lado de lá da fronteira. Quando quiser vir até cá matar saudades, pode vir a pé ou de bicicleta, pois as portagens já foram para aprovação. Portugal será em breve o país mais limpo do mundo. Graças às nossas grandes bitolas.