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afonsonunes

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O país está a precisar de muitos ajustamentos para evitar que acabe por se tornar num todo completamente desajustado, se é que não o é já nesta altura, se deixarmos de estar ligados à corrente que, cada vez mais frequentemente, se encontra em curto-circuito. É mesmo muito duvidoso que nos livremos de choques em cadeia, se não se fizerem os devidos ajustamentos.

Os patrões dizem que precisam de ajustamentos salariais, mas não nos deles, para que as contas passem a bater certas. O governo promete a toda a hora fazer os ajustamentos necessários para que a troika se mantenha sorridente e disposta a ir abrindo os cordões à bolsa. Ao mesmo tempo mostram-se surpreendidos com o avolumar do desemprego, que cresce sem lhes pedir autorização.    

O Presidente da Câmara do Porto, destacado membro do partido do governo disse que só por cima do seu cadáver, se estivesse nesse governo, passariam medidas que ele entende inaceitáveis. Um secretário de estado bateu com a porta por causa das coisas energéticas que lhe davam choques tremendos, até que lá veio um ‘choque mate’ que o levou de vez.

Muito mais importante que isso, e muito mais, para a comunicação social, é o facto de um deputado, vice-presidente da bancada do PS, partido na oposição, lembro eu, ter resolvido bater com a sua pequena janela. Que, lembro eu, não tem qualquer relevância, nem na governação, obviamente, nem tão pouco na oposição. Sendo assim, não vejo a quem interessa este choque de ruído massivo.

O mesmo se passa com o folhetim novelesco Marcelo/ Seguro. Tanta aleivosia por parte de dois protagonistas, que parecem ter surgido de um mundo novo, onde as palavras e os juízos de cada pessoa são um valor inviolável. Ambos se terão esquecido do mundo poluído em que se movem, e ao qual há muito se dedicam, como peças que bem precisam de fortes ajustamentos.  

É evidente que esta novela é, mais uma vez, a luta pelos interesses instalados e pelos interesses desinstalados. Qualquer desses interesses vai provocando pequenos incêndios para que o grande incêndio em que o país está envolvido não passe para primeiro plano. E assim, os bombeiros desta guerra, estão entretidos a brincar às fogueiras, enquanto o grande fogo tudo devasta.

A guerra e a paz entre Passos e Seguro lá vai dando mostras de que assim, a troika está satisfeita. Seguro gosta de aparecer na fotografia ao lado de Passos, como se ambos estivessem em competição de charme. O país aparenta estar em paz. Passos lembra aos seus superiores que está de bem com Seguro logo, com todo o país. Sem dúvida, que há quem não duvide e confirme.

Ambos estão a representar uma paz podre. Ou uma guerra surda de que ambos tiraram dividendos em devido tempo. Qualquer deles, até agora, ainda não conseguiu demonstrar que valeu a pena terem sujeito o país às mudanças de que estamos a viver os resultados. Só assim se explica que haja tantas surpresas no caminho que ambos estão a trilhar.

Tudo parece indicar que há uma estratégia comum. Lá dentro, nos locais sem fotógrafos, trocam uns abraços longos de amizade duradoira. Cá fora, com o mundo das luzes em cima, trocam galhardetes antes de cada round de batatada verbal. Secundados pelos meninos e meninas do coro de cada um deles. Aqui, não há ajustamento possível. Ou fazem a paz ou fazem a guerra.

Porque a hipocrisia não tem ajustamentos, nem pode ser oleada. Se o PSD, só quer o PS para sorrir lá fora, e se o PS só quer o PSD para ficar na fotografia, então estão ambos no mau caminho. O PSD não precisa do PS para governar. Então que governe e assuma a governação por inteiro. O PS não tem que se preocupar com fotografia. Assuma que está na sombra e faça o seu caminho.

Não podemos continuar a fazer de conta que somos o que nunca fomos e que temos o que realmente nunca tivemos. Isto é que convinha ser ajustado de uma vez por todas. Antes que se passe à fase dos ajustes diretos de contas.