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afonsonunes

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11 Abr, 2012

Portugal com todos

Este cantinho à beira mar plantado não pode ser apenas o país dos súbditos de D. Pedro dos Passos de Coelho em Portugal. Há muito mais gente que, não sendo tratada com tanta deferência através de nomes compridos do tempo da realeza, tem o mesmo direito a usufruir do nosso sol, a lamentar a falta de chuva, ou a suportar a aselhice de tantos chefes que não param de lhes infligir castigos.

 

Admite-se perfeitamente que o conde de Miguel e Relvas diga aos espanhóis o que devem fazer para não prejudicar a imagem de Portugal junto dos mercados que controlam as massas de que eles e nós tanto precisamos. Mas já me parece um tanto abusivo querer dizer aos socialistas e comunistas portugueses que emigrem em busca dos seus ideais, porque este torrão lusitano não foi feito para eles.

 

Não sei se o conde pensa como o rei, mas presumo que sim, pois é bem evidente que para os súbditos, há sempre um lugar cá dentro. Pode não ser um lugarzinho com cama, mesa e roupa lavada, mas será com certeza bem melhor que o relento disfrutado debaixo da ponte, exclusivo para não súbditos. Pode não haver muitos milhares para cada súbdito, mas haverá sempre muitas centenas, mesmo para aqueles que não nasceram para trabalhar.

 

Assim se cumpre o dito popular de que o sol quando nasce não é para todos. Do mesmo modo, o rei quando reina, não reina para todos. Reina acima de tudo, para mostrar aos socialistas e comunistas que nunca lhes será permitido meter as mãos onde os súbditos as mantêm frequentemente. E não há lugar mais quentinho que os bolsos dos outros, sejam eles o que forem, desde que não sejam os intocáveis súbditos.

 

Isso não impede que o rei, ao discursar nas cerimónias oficiais perante altos dignitários do carcanhol, se intitule o rei de todos os habitantes do reino, incluindo os socialistas e os comunistas, num auto reforço da sua autoridade indiscutível e do poderio da sua extensa e poderosa corte. Onde não falta a riqueza verbal dos condes, a dignidade impoluta dos viscondes e a exuberante luxúria dos barões e das baronesas.      

 

A esta festa da nossa democracia, assistem os comunistas e os socialistas sem direito a intervir. Tal não quer dizer que estejam do mesmo lado da barricada. É sabido que não estão e também é sabido que nunca estiveram. O porquê desse afastamento, sabem-no eles e sabemo-lo nós. Contudo, cada um à sua maneira, ora uns, ora outros, lá vão sendo os sacristãos de uma missa que sempre se dispõe a rezar-lhes pela alma. 

 

Já que o nosso conde de Miguel e Relvas diz aos espanhóis o que devem fazer para não prejudicar Portugal, sugiro que os espanhóis ensinem o nosso conde a saber lidar com socialistas e comunistas para que Portugal seja de todos, como deve ser, e não um reino onde só os súbditos têm direito a falar. Por muito que lhes custe, Portugal só não sairá vencido desta negra batalha, se Portugal puder contar com todos os portugueses.