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afonsonunes

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14 Abr, 2012

Ou vai ou taxa

Também há quem diga, ou vai ou racha, o que é totalmente isento de qualquer taxa de utilização verbal, independentemente de quem está de fora rachar lenha, ou de quem está dentro pagar taxa de entrada. Agora o que está a dar, sem dúvida, como a coisa nunca mais vai, é termos de aguentar com uma taxa ao ritmo de quase uma por dia. E digo quase porque não quero que me chamem pacagaio de serviço.

 

Não posso deixar de esclarecer que tenho o maior respeito por todos os papagaios que ganham a vida com a interminável repetição do seu curto e nem sempre perfeito vocabulário. Mas, a vida é assim, não posso querer que os papagaios não tenham direito à vida, só porque também eles têm a concorrência desleal, mas imbatível, dos pacagaios que até nem precisavam de ter número de contribuinte.

 

De papagaios todos temos um pouco, nem que seja quando o rei faz anos, ou alguém que se arme em seu substituto. Ser papagaio ocasional é quando qualquer coisa nos sobe à cabeça, ainda que momentaneamente, e nos faz esquecer a dimensão ou a origem das coisas. O mesmo acontece quando a mente se nos turva por qualquer acontecimento que nos leva a festejar com algum exagero. Mas isso passa.

 

Já o mesmo não acontece com os pacagaios que, coitados, passam a vida a fazer a festa, a deitar os foguetes e a apanhar as canas. Para estes, sim, justificava-se plenamente a criação de mais uma taxa, a taxa de fidelidade, a taxa de adesão ao que está bem e ao que está mal, a taxa do come e não cala em defesa do que come, mesmo que esteja intragável. Enfim, a taxa de compensação por tanto pacaguear.

 

Haverá, por ventura, quem esteja a contrapor que pagar uma taxa desse tipo não é uma compensação, mas um castigo injusto. Nada mais falso. O pacagaio reza vinte e quatro horas por dia, à sua maneira, pacagueando os atos dos seus santinhos, tal qual mandam as suas crenças. Por elas, sacrifica-se tanto, que aceita de bom grado ser castigado, mesmo fustigado, sofrendo, para alcançar o bem bom do seu reino.

 

Os pacagaios têm por missão destruir ostensivamente todos os papagaios que se queixam da sua sorte, reenviando todas as queixas destes, para a box das reclamações do passado. Porque o presente ainda não tem box disponível por falta de verba. E a verba também ficou esquecida na box do passado por culpa dos papagaios que tanto papaguearam que ensurdeceram quem tinha o dever de recolher a herança por inteiro.

 

E foi assim que os pacagaios ficaram exclusivamente a pensar nas verbas da box vazia, não ligando aos tubarões que tudo vinham limpando desde há muito tempo, incluindo o sebo dos papagaios incautos, apanhados nas suas redes que tudo varreram, deixando este mar de peixe miúdo sem uma única escama. Mas, insistem os pacagaios, que este estado de coisas e de loisas, se deve aos papagaios que falam muito e mal.

 

Seja como for, as coisas e as loisas do passado e do presente, ou seja, a diferença entre papagaios e pacagaios, está no dinheiro. No muito dinheiro que devia haver e não há. Nas taxas que não havia e agora há. Para pagar não se sabe bem o quê. Provavelmente, para pagar muita conversa dos papagaios. Mas, com muitas certezas, para pagar as barrigadas dos tubarões que sempre, e agora ainda mais, se estão pacagueando para todos.

 

Apesar das pacagueadas que diariamente vamos ouvindo, aguentamos firme, muitas vezes recebendo mais um brinde salvador, que é mais uma taxa para que não cheguemos à situação indesejável do vai ou racha, em que a coisa já não se resolverá com taxas, sejam elas de ingerir ou expelir, seja lá o que for. Neste momento, se esquecermos os felizes pacagaios, temos um país em que a ingestão é muito menor que a pacagueação.

 

Do que ainda ninguém se lembrou foi da taxa das barrigadas e respetivas descargas. Ora esse tipo de esquecimento não é compatível com o atual lema do, não vai, mas taxa. Se não vai é porque se tem de mudar para o sistema de, ou vai ou racha. E então, deixem lá as conversas de papagaios e atirem-se aos tubarões. Que são, esses sim, os maiores pacagaios da nossa desgraça.         

 

Tubarões não são, nem nunca foram, os grandes papagaios, em parte alguma do mundo.

 

 

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