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afonsonunes

afonsonunes

22 Abr, 2012

Paspalhos

Em primeiro lugar não posso deixar de começar por referir a sensata sentença de que quase todas as medidas estruturais previstas já estão no terreno. Sinceramente, não quero duvidar do paspalho que disse uma barbaridade destas mas, ou eu não vejo dois palmos à frente do nariz, ou o paspalho não domina minimamente a língua portuguesa. Penso eu, mas não pensa ele que, quase todas, são mesmo todas, menos uma ou duas.

 

Diria eu, que não sou paspalho, que é mais provável que de todas, estejam no terreno uma ou duas que, por acaso, eu até nem conheço mas aí, a ignorância é minha pois, não sendo paspalho, tenho o mau hábito de não querer ver aquilo que mais ninguém vê, ou seja, nada, zero, ó, ó. O problema está no terreno, talvez muito arenoso, muito poeirento, ou as duas coisas ao mesmo tempo.

 

Ora, quando assim é, são os meus olhos que pagam ao serem inundados dessas coisas que me deitam em frente deles. Vai daí que eu, com todo o meu estatuto de anti paspalho, embora com uma pequenina tendência para armar em espantalho nas minhas horas vagas, ou de lazer, dou comigo a ser tomado como um pobre tolo, ou um estafermo de terceira categoria, coisa que nem eu desejo ao maior paspalho da atualidade.

 

Além do paspalho das medidas do terreno, não deixo de salientar o paspalho da prosperidade nacional, que vai lá fora dizer que o país não precisa de nada, mesmo nadinha, pois por cá até há consenso naquilo que o governo não quer discutir. Daí que escolha sempre um país amigo, mesmo muito amigo, para fazer o anúncio das medidas que, sendo chatas, é preferível que venham de fora para dentro.

 

Só ainda não percebi o motivo por que são escolhidas cidades como Londres ou Nova Iorque para fazer esses anúncios, quando seria muito mais lógico que se escolhesse Paris. Até porque Paris, se não me engano, fica um pouco mais perto, além de ter muitos restaurantes portugueses que podiam fazer um desconto, que mais não fosse abatendo o iva respetivo. O fisco francês não levaria a mal.

 

Mas, desconfio eu, o motivo da recusa de Paris para os grandes anúncios, está no facto de os paspalhos portugueses terem um certo receio de se verem confrontados com um estudante vivaço que tem o mau hábito de continuar a estudar o que já sabe há muito tempo. Aliás, ele até já sabia que estes paspalhos iam demonstrar que os cursos deles não eram nada que se parecesse com os seus. 

 

Ao que parece, os encontros regulares entre Paris e Berlim no que toca às matérias europeias dos cursos para papalvos, de há uns tempos para cá, têm um outro ex-bom-aluno como participante. Parece até que ele já consegue superar o seu papel sendo, com frequência, o professor dos professores, dada a sua natural propensão para comandar todas as operações e operacionais com os quais se envolve.

 

Dizem os do eixo, em segredo, obviamente, que é muito difícil não ver nele um monitor de cursos para paspalhos, tal a clareza das suas palestras, maravilhosamente enquadradas na tese de que, no mundo, nada pode acontecer sem a sua imprescindível intromissão. Aliás, se foi assim no passado, como poderia o mundo prescindir agora, em momentos tão complicados, de tão influente atuação.

  

Por outro lado, parece haver aqui uma certa contradição, quando os paspalhos nacionais se afastam dos paspalhos de Paris e Berlim e tentam aproximar-se dos recalcitrantes de Londres e dos sherifes de Nova Iorque, sabendo-se de boa fonte que são aqueles papalvos que lhes ministram as aulas e lhes atribuem as elevadíssimas notas de alunos exemplares nos examos trimestrais.

 

Daí, até se pensar em qualquer problema do foro psicológico em relação a Paris, vai uma grande distância. Como de Lisboa a Paris. Paris é só a cidade luz. E já é bastante para iluminar qualquer mente. Paspalhos é coisa que não se enquadraria nos Campos Elísios, mesmo em dias de céu carregado, ainda que com muita chuva. Paris não merece ser um dos terminais do eixo condutor da paspalhice europeia.