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afonsonunes

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Já nos safamos do jogo inglório dos prós e contras no dia de ontem, transmitido quase na totalidade pelas televisões, a propósito das comemorações de um memorável evento de há trinta e oito anos. E acabamos por nos safar de uma maneira que eu considero bastante positiva, graças àqueles que lá não foram.

 

Vamos só supor que tinha lá ido toda a gente. Não é difícil imaginar que isso seria uma tragédia. Desde logo porque as televisões tinham um prejuízo incalculável pela perda dos telespetadores que costumam ver tudo pela televisão, dando-lhes os shares que lhes proporcionam as receitas de publicidade.

 

Depois ficávamos sem aquelas preciosidades de repórteres de rua como aquela que perguntou a um casal – há quantos anos estão casados? – Há 63, diz ela. Nova pergunta: Já estavam casados quando foi o 25 de abril? – Já, já… - responde ele sorrindo. E ainda dizem que o país não tem nada que preste. 

 

Mas, se tivesse lá ido toda a gente, seria um erro dizer que temos um amigo em cada esquina. Porque, nesse caso, teríamos muitos amigos à nossa frente, ao nosso lado, atrás de nós e, ainda muitos outros com vontade de estar por cima de nós, se acaso não coubessem lá todos. Enfim, amigos por todo o lado.

 

Claro que no Alentejo tem de se dizer que se tem um amigo em cada esquina. Porque nas ruas não há ninguém. Então, com uma pessoa em cada esquina, sempre vai dando para se dizer de uns para os outros, bom dia amigo. Sim, porque lá, felizmente, ainda são todos bons amigos, mesmo sem apertos de mãos a toda a hora.    

 

Estou mesmo a ver os amigos de Lisboa a dizer adeus aos seus amigos de todas as esquinas da cidade. Ainda no Porto, vá lá, que falam um pouco mais alto, mas aproveitam sempre para acrescentar mais umas palavritas aos cumprimentos, o que também dificultaria essas comunicações de amizade inequívoca.

 

Nem quero falar das amizades entre os lisboetas e os portuenses, acrescentando apenas que, em cada esquina um amigo, não se aplica nesses casos. Mas o sentido figurado da frase é indesmentível porque, em Portugal, desde tempos imemoráveis, não há português que não seja amigo de todos os portugueses.

 

E isso deve-se exatamente a que o exemplo vem de cima. Ainda ontem vimos como tudo se passou de forma exemplar, extremamente amigável, em que todos os portugueses, quer os que estavam frente à televisão, quer os que estavam na assembleia, se mantiveram ordeiramente sentados a ouvir os que falaram de pé.

 

Mas, de salientar também aqueles manifestantes do Rossio que deram uma grande lição de civismo. Demonstraram lá na deles, que não é preciso estarem todos no mesmo sítio, para mostrarem aos outros que, tal como eles, também os têm lá. Portanto, unanimidade total entre a assembleia e o Rossio.

 

Aliás, como foi pedido e imediatamente aceite pelo país inteiro, os portugueses vão, a partir de ontem mesmo, constituir um bloco amigo, solidário, fraternal e incansável, na divulgação de todas as suas qualidades, tanto cá dentro, como lá fora. Com fome, mas… Vá, fora daqui. Toca a dizer que estamos bem e somos todos bons amigos.

 

 

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