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afonsonunes

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Qualquer dos três elementos deste trio percorre o mundo em todas as direções e em todos os sentidos, sempre com o pensamento e o discurso no bem-estar dos seus protegidos. Sempre com o sentido das suas responsabilidades na proteção dos direitos dos contribuintes que lhes pagam as viagens, as luxuosas estadias e os altos vencimentos saídos das austeridades dos seus paroquianos.

 

Os elementos deste trio pagam todos os sacrifícios que provocam na paróquia, com os sacrifícios que fazem ao terem de inventar discursos inéditos todos os dias, ao terem de trocar o sono com frequência por causa dos fusos horários e, com muita frequência, terem de dizer umas coisas que não lhes soam nada bem ao ouvido mas, mesmo assim, acreditam que elas soarão muito bem aos ouvidos de outros.

 

A isto não se pode chamar uma vida airada normal porque eles não se parecem nada mesmo com os três marmelos dessa história. É evidente que nenhum deles tem perfil de Cócó, por sinal, todos eles muito perfumados conforme mandam as regras dos ambientes que frequentam e onde qualquer indício de mau hálito seria o suficiente para que os assistentes virassem a cara para o lado ao ouvirem os proféticos discursos.

 

Tão pouco se podia atribuir a qualquer dos elementos do trio a mínima semelhança com o Ranheta, nome que, só por si, afastaria a mais indesejada das assistências. Este trio é da vida airada sim, mas de uma vida airada decente, que se assoa sem ruídos, porque quem os ouve atentamente não pode ser dissuadido de o fazer do princípio ao fim, ainda que tenha de colocar o dedo no nariz para não incomodar os outros.

 

Tão pouco haveria neste trio alguém comparável a um Facada qualquer que, sem dó nem piedade, tivesse o desplante de se aproximar de um dos seus protegidos e pagantes, levando na mão uma faca, ou mesmo um pequeno canivete, que pudesse meter medo a quem está plenamente confiante na sua salvação, por via da ação de tão generosas dádivas de corações abertos a todos os amigos que precisam.

 

O trio da vida airada não é nada disso. Ainda agora esteve em Cascais e, numa ação perfeitamente organizada, falou como se de um evento a solo se tratasse. Ali, não se vislumbrou uma palavra de propaganda. Até porque já está esgotado esse conceito de propaganda em política. Já se provou à evidência que hoje há factos, factos reais, palpáveis, que demonstram à evidência que a propaganda feita antes, já deu os seus resultados.

 

Voltou a falar-se de imagem, lá está, nada de se pensar em Cócó, Ranheta e Facada, mas sim, nos descobridores do caminho marítimo para Lisboa, ou de descobrir o novo visual do país observado lá de cima através do Google Earth. Temos muito para onde olhar. Principalmente, para quem, não pertencendo a este trio, andou a brincar às descobertas, quando podia ter feito o que este trio já fez e que tanto orgulho está a causar ao país.

 

Voltou a falar-se de reformas. De muitas e boas reformas que o país logo aplaudiu em uníssono. Tal como se manifestou veementemente contra todas as contrarreformas que, ao arrepio de todas as recomendações vindas do paraíso europeu, acabaram por levar o país e o mundo a um estado de pré banca rota. Foi o país do Facadas. Valeu a este sacrificado país, que voltou a ser repetida a coragem inabalável de não voltar ao país do Cócó.

 

Mas, e isto é muito importante. Para que se esqueça de vez a vida airada é necessário, é imprescindível, que este trio se mantenha unido aos outros trios. Que arranjem um consenso qualquer. Que o Cócó, oiça o Ranheta e o Facada, mesmo que tenha de colocar tapas nos ouvidos. Mas, mesmo assim, o Cócó não ouve, insulta, e exige consenso. Porque quer, pode e borrifa-se. Assim, sem consenso, lá se vai a coragem do Cócó.      

 

É notório que há aqui umas misturas de trios que podem provocar alguma confusão. Isto acontece porque o país só agora saiu da confusão. Portanto, como há trios com fartura, também não faltam Cócós, Ranhetas e Facadas. Que não são nada do que pressupõem esses nomes que nos fazem tapar o nariz.