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afonsonunes

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Antes de mais importa saber o que é isto, pois todas as coisas têm de começar pelo princípio. Se isto fosse fácil de identificar não tenho a mínima dúvida de que nunca se teria chegado a isto. Porque isto é uma coisa muito séria que está a deixar muita gente sem saber o que fazer à vida. E até já houve quem, por causa disto, resolvesse mudar de situação, passando do estado de vivo para o estado de morto.

 

Isto é uma tragédia da qual muitos esperam safar-se, daí que considerem que temos mesmo que aguentar isto, na certeza de que quem aguenta tudo não são eles, mas todos os outros. Aí é que esses estão completamente enganados, porque isto não dá para separar os bons dos maus, nem os que mandam chover dos que se molham. Nem tão pouco dá para separar os que mandam, dos que obedecem.

 

Isto está de tal maneira que já não tem ponta por onde se lhe pegue, por mais que se insista em procurá-la, na esperança de que, com essa descoberta, se consiga dizer que ela é o princípio. Mas não adianta procurar uma coisa que isto não tem. Assim sendo, também fica fora de qualquer hipótese pensar que se vai descobrir o fim disto. Não só o fim, mas também a finalidade, o que ainda complica mais as coisas.

 

Isto pode bem ser o início de uma guerra em que o exército poderoso, dispondo do mais moderno armamento, tenha de procurar por todos os meios derrotar o exército de gente, do tipo formigueiro, que se dispõe em carreiros espalhados pelo mundo inteiro, sem qualquer tipo de armas, que não seja o seu número incontrolado metido em todos os buracos da terra.

 

Isto é gente que não há armas que a vençam nem bombas que a destruam, porque essa é a gente que trabalha como formigas, para produzir alimentos para quem tem as armas e as bombas, que deixarão de vencer batalhas à medida que a fome lhes chegar aos quarteis e às frentes de combate. E à medida que se forem perdendo batalhas, é a guerra que começa a perder-se.

 

Isto será então o princípio do fim. E tudo está a conjugar-se para que os insaciáveis de vitórias através de guerras injustas e violentas, se transformem em derrotados, se persistirem nos seus desígnios de não olharem a meios para atingirem os seus fins. Fins que não serão propriamente desfiles de orgulho e de felicidade dos vencedores, tal como não será o fim dos vencidos aqui ou além.

 

Isto começa a ser o princípio do desespero de quem tem de optar pelo ato de lutar, como única alternativa ao fim inevitável da sua vida, às mãos impiedosas dos seus algozes. Entre entregar-se para morrer, muitos serão os que tentarão vender cara a sua vida. Isto não é mais do que uma regra de sobrevivência. É também um ato de coragem em defesa própria, mas também, e principalmente, em defesa daqueles que lhe compete defender.

 

Isto está a verificar-se cada vez mais nos atos eleitorais dos países em dificuldade. Que vão sendo cada vez mais e cada vez mais asfixiados pelos seus pretensos salvadores. Os eleitores vão perdendo a paciência para com aqueles que sempre os enganaram. Sobretudo, para com aqueles que lhes prometeram dádivas e lhes foram roubando os seus parcos proventos. E os que sempre viveram roubando o próprio país.

 

Isto já fez nascer há muitos anos pequenos movimentos ditos extremistas que nunca foram tomados a sério e está a fazer com que esses movimentos se tornem cada vez maiores, ao ponto de já conseguirem impedir a formação de governos como aqueles em que nunca participaram e em parlamentos em que já começam a ter possibilidades de impor as suas regras de destruição das velhas e tradicionais práticas ditas democráticas.  

 

Isto começa também agora a ser uma prática democrática, visto que é a conquista dos votos que lhes mostra o poder. A democracia não pode ser uma boa prática, apenas quando ganham os habituais. Quando governam os que sempre governaram. Também o é, quando perdem os que sempre governaram mal. Quando perdem os que sempre desprezaram os que nunca tinham ganho.

 

Isto quer dizer que alguém anda há muitos anos a abusar da democracia, dando início àquilo de que hoje já começa a ter medo. Quem tem medo de monstros nunca devia ter a veleidade de os criar. Pode muito bem ser o princípio de uma guerra como já houve outras. A sociedade já está a ficar monstruosa. E começa a ser tarde para que isto não seja o fim de uma era.   

 

O princípio disto já está à vista e o fim começa a adivinhar-se.