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afonsonunes

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Se não formos à Grécia havemos de ir a qualquer lado, nem que seja a Badajoz. É preciso é sairmos disto para dar um ar internacional aos nossos anseios e às nossas ilusões. Para aqueles que não tenham nada disto servirá, certamente, para lhes acabar com as desilusões de que já não prescindem. Aos outros, aos verdadeiramente internacionais, é mais uma oportunidade de fazerem o frete de trocar o bom pelo péssimo.

 

Porém, se eu digo, se não formos à Grécia, é porque ainda temos essa possibilidade. E não digo que ainda temos essa oportunidade, porque o país ainda está traumatizado com tudo o que tem ouvido acerca das velhas e das novas oportunidades. Mas deixemos lá essas coisas e vamos à possibilidade, que essa, espero, não ofenderá ninguém com certeza. Aliás, em Portugal, ninguém se ofende com coisa nenhuma.

 

Que também não fiquem dúvidas. O facto de irmos à Grécia, não quer dizer que fiquemos por lá. Até porque está por provar que na Grécia se estaria melhor ou pior que entre nós. Haverá alturas em que os gregos se sentem portugueses e em que os portugueses se sentem gregos. A diferença pode estar no facto de eles estarem num estado de maturação mais adiantada. Pode ser uma questão de clima.

 

Depois, a Grécia tem uma tradição filosófica muito superior à nossa, se excetuarmos um curto período de cerca de seis anos, em que a nossa filosofia atingiu o auge, graças à permanência entre nós, do filósofo dos filósofos, ao que parece, precisamente, de ascendência grega. Mas, de tradição bem portuguesa, pois não resistiu à onda que nos leva os melhores crânios. Emigrou, quem sabe, com a ambição de atingir a Grécia.

 

Mas, isso agora não interessa nada, pois o país precisa como de pão para a boca, dos que ficam e não dos que emigram, por muito que digam que só cá ficam os que não têm jeito para nada. Eu diria que aqueles que ficam, estão ansiosos por ir até à Grécia. Eles sabem que isso é uma experiência muito enriquecedora, no meio desta rotina que o país adotou: uma experiência muito empobrecedora.

 

Temos de perceber que seria muito negativo pensarmos que todos os portugueses poderiam ser ricos. Claro que é uma hipótese como qualquer outra. Só que então, os atuais ricos, teriam de passar a ser pobres. É por isso que a hipótese de irmos até à Grécia, tem muitas pernas para andar. Muitas pernas de muitas pessoas, claro. Só para saber se lá, na Grécia, os ricos já começaram a empobrecer. Sei, não!

 

É por isso que já ando a estudar a melhor maneira de chegar à Grécia. A descoberta do Caminho Marítima para a India, também deve ter demorado muitos anos a estudar, até porque era um bocado longe. A Grécia fica um bocadinho mais perto, mas há muitas dúvidas se devemos escolher um caminho marítimo, ou um circuito terrestre, isto para depois decidirmos qual o meio de transporte a utilizar.

 

Por enquanto ainda sou só eu que penso nesta viagem. Daí o meu cuidado de me ir prevenindo, porque sou um bocado lento a pensar. Demoro a estudar e demoro ainda mais a decidir. Mas não sou só eu. Entretanto, pode acontecer que haja alguém que se lembre de criar uma agência especializada que crie condições de levar o país inteiro até à Grécia. Temos cá gente mais que capaz para isso.

 

Nem a Grécia é Portugal, nem Portugal aspira a ser a Grécia. Isto é um lugar-comum que temos de desdramatizar pensando, por exemplo, que muitos portugueses se estão a ver gregos para arranjar maneira de conseguir um lugarzinho num cruzeiro de luxo às ilhas gregas. Claro que isto não é negativo para o país. Pelo contrário, é muito positivo porque, assim, podem ir às nossas ilhas.

 

Agora, a grande oportunidade para Portugal e Grécia, se nós não conseguirmos ir até lá, será convencê-los a virem eles a Portugal. Precisamente, porque nós não somos gregos. Nem nunca viremos a ser. Mas, com toda a naturalidade, os gregos têm muito a lucrar se, lentamente, muito lentamente, se forem convencendo de que a lentidão de Portugal, lhes pode dar outra visão da política.