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afonsonunes

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Não há instrumentos musicais intocáveis. Não há músicas nem músicos intocáveis. Mas tem havido, e ainda há, muitas pessoas e corporações intocáveis, devido a estatutos preconceituosamente estabelecidos e mantidos com base em argumentos elitistas verdadeiramente incompreensíveis. Daí resultam benefícios e privilégios que atentam contra as mais elementares regras de equidade que devem nortear uma sociedade justa e solidária que, como ainda é evidente, só existe na imaginação de alguns.

Contudo, isso não impede que se deixe de lutar por ela, porque o fruto mais desejado será sempre aquele que está mais difícil de colher.
Os intocáveis julgam-se insubstituíveis, porque prestam serviços indispensáveis, ou estão alcandorados em pedestais aparentemente inacessíveis a quem os possa apear, o que os leva egoisticamente a pensar que tudo o que querem, têm, obrigatoriamente, de obter. Melhor, tudo o que desejam, tem de lhes ser imediatamente oferecido em bandeja de prata, sob pena de prejudicarem toda uma sociedade que depende da sua actividade.
Os intocáveis sentem-se à margem de toda a organização do Estado, porque pensam que sem eles o Estado não funciona, ou funciona mal, logo, são eles, directa ou indirectamente, que querem controlar o Estado. E, o pior, é que, além deles, também há quem pense como eles, aplaudindo as suas atitudes, concordando com as suas exorbitâncias, quando, em alguns casos, podiam e deviam mostrar o poder que detêm, para acabar com tais aberrações.  
É verdade que não podemos passar sem padeiros, tal como não podemos passar sem professores, sem juízes, sem funcionários, sem cantoneiros do lixo, sem médicos… Pois não!... Mas podemos perfeitamente dispensar alguns intransigentes e malevolamente exigentes, que pensam que têm o mundo a seus pés. E se eles já estão fartos de nós, que se arranje maneira de alguém nos libertar deles e de eles se verem livres de nós. É a lei de quem não serve, nem gosta de servir. É a lei da troca do inútil por aquilo que nos faz falta. É a lei das leis fundamentais dos direitos dos cidadãos, em que todos, mas todos mesmo, são iguais perante a lei. Não há nenhuma lei específica para intocáveis.
Diz o povo na sua ilimitada sapiência, que quem não está bem, muda-se.