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afonsonunes

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E começo já pela primeira dessas coisas que me apetece desembrulhar sem demora, atendendo a que me parece que anda tudo a embrulhar tretas sobre tretas. Não chego a perceber bem qual a finalidade de tanta azáfama por parte desses embrulhadores. O caso não é novo. Apenas conheceu agora mais um triste e lamentável episódio a juntar a tantos outros.

 

Não serão propriamente uma novidade para ninguém, as deploráveis tiradas de cócegas na língua de dois dirigentes dos maiores clubes de futebol. Rara é a semana em que os jogos florais entre eles não atinjam o nível da pouca-vergonha. Não quero entrar pelo lado de tomar partido por um ou por outro, até porque entendo que a coisa está num estado tal, que merecia um júri altamente qualificado.

 

Que eu saiba, nunca tinha acontecido a entrega de uma taça no balneário da equipa vencedora, por mau comportamento dos adeptos da equipa vencida, os quais inviabilizaram a cerimónia no local em que devia ter tido lugar. Uma vergonha e um atestado de ineficácia das forças da ordem que, nas instalações deste clube, parece não ter coragem suficiente, mas necessária, para meter na ordem os mesmos de sempre.

 

Já se fala em árbitros estrangeiros para dirigir os jogos mais importantes. Eu diria para dirigir todos os jogos, já que as habilidades dos árbitros fazem com que todos eles sejam decisivos. E isso ainda não chega. Que se chamem também polícias estrangeiros, investigadores estrangeiros, juízes estrangeiros e todos os estrangeiros necessários para que de uma vez por todas se metam os criminosos atrás das grades.

 

O panorama desolador repete-se na vivência da política por parte de uma estirpe que tem o rei na barriga e está completamente a coberto de todas as ilegalidades e de todos os desvarios, certa de que tudo acabará sempre por deixá-la incólume a qualquer tentativa de responsabilização. São muito poucos os que ousam confrontá-los com as suas demonstrações de autênticos violadores sistemáticos da lei.

 

Esses poucos acabam sempre enxovalhados pela manipulação dos factos e pela tendenciosa apreciação que deles faz quem os investiga. Outros, muitos, já nem se dão ao trabalho de tentar denunciá-los. Uns porque sabem de sobejo que só perdem o seu tempo, enquanto outros, e ainda são muitos, sentem que tal só lhes traria problemas para as suas vidas públicas ou privadas. É uma justiça com alvos selecionados.

 

As instâncias que deviam dotar o país dos meios de garantia da ordem, da paz e da justiça, estão entregues, na sua grande maioria, a tentáculos do poder em exercício, que foram lá postos precisamente para evitar que funcionem do modo como deviam funcionar. Isto, apesar de todas as grandes tiradas de frequentes elogios às entidades corruptas, incompetentes e negligentes, por parte dos mais altos responsáveis. 

 

Não menos indigno é o jogo dos fanáticos da bola fora dos estádios, bem como dos doentinhos da política subordinados incondicionalmente aos gabinetes dos seus ídolos. São eles os executivos das ideias macabras que os seus amos arquitetam. Para identificá-los, basta ler o que escrevem e o que dizem em cada local e em cada ocasião, em que atiram com o seu ódio cá para fora. São alguns dos potenciais trauliteiros.

 

Há dirigentes desportivos, tal como há políticos com grandes responsabilidades, que todos os dias têm necessidade de se mostrar na comunicação social, quase sempre através de impropérios contra os adversários. Talvez suponham que assim vencem as suas batalhas de popularidade. No entanto, se os adversários respondem no mesmo tom, cai o Carmo e a Trindade. E há queixas na justiça deles.

 

Uns e outros passam a vida a pedir ou a exigir a essa justiça que averigue os desmandos dos seus adversários. Mas não pedem ou exigem que sejam averiguados os seus próprios desmandos. Como tudo isto é competição, agora até desafiam a que se procurem eventuais desmandos do passado. Pois eu desafio a que investigue tudo e todos. Do passado e do presente. Mas, já agora, que tragam árbitros de fora.

 

Antes de mais, é uma questão de respeito pela seriedade e pelo prestígio do país. Está mais que provado que estes árbitros de cá, na bola ou na política, só servem para esconder e nunca para descobrir. Talvez por isso haja tanta gente a pensar que tudo não passa de coisas do arco dos velhos.