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afonsonunes

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Os nossos heróis já estão na Polónia certos de que o abismo, à beira do qual têm andado em Portugal, ficou agora muito mais longe. Como não sou grande coisa em geografia, e muito menos em orografia, não vou confirmar nem desmentir que lá, no palco dos grandes acontecimentos que aí vêm há, ou não, grandes montanhas, com grandes abismos, que possam assemelhar-se aos de cá. 

 

Alguém disse que há um ano estávamos à beira do abismo e agora estamos muito mais longe dele. É verdade que a nossa seleção esteve mesmo à beira de se despenhar, aquando da fase de qualificação. Mas também é verdade que, mesmo agora, também deu dois trambolhões de se lhe tirar o chapéu. Quem falou na beira do abismo talvez não tenha na memória, a dimensão correta dos abismos.

 

Andar a falar de abismos e, sobretudo, a comparar abismos, pode correr-se o risco de provocar alguns sorrisos, uns mais amarelos, outros mais alaranjados. Não somos macedónios nem turcos, mas qualquer destes nossos recentes visitantes, vieram provocar algumas vertigens nos mais otimistas seguidores da nossa seleção. Nada de preocupante, pois até é positivo a coisa começar por correr mal.    

 

Mas, afinal, nada correu mal, pois agora temos aí, à nossa frente, olhos nos olhos, a nossa amiga chanceler Merkel. É verdade que ela já não tem o complemento francês para lhe dizer à que sim. Mas tem o nosso capitão da equipa governamental a mostrar-lhe o abismo que a espera, caso continue a portar-se mal no jogo rasteiro com a relva molhada. A nossa seleção está à vontade com relvas secas ou molhadas.

 

Portanto, no próximo sábado, é toda a Alemanha que vai pelo abismo abaixo, malgrado os avisos turcos e macedónios. Depois, é quase certo que a senhora Merkel vai dar uns passos atrás em relação ao Pedro dos passos em falso. Nada de grave, porque de abismos já ele sabe tudo, dada a experiência adquirida no campo relvado do governo, de há um ano a esta parte.

 

A senhora Merkel sabe muito bem, aliás, perfeitamente, qual a melhor técnica para apagar fogos com gasolina, tal como oportunamente lembrou um ex-ministro alemão. E, o nosso Cristiano é fogo, embora muitas vezes, consiga arder sem se ver. Tudo por amor, claro, à nossa querida seleção. Não vai haver gasolina alemã que lhe pegue na camisola encharcada pela relva molhada que leva de Lisboa.

 

Os portugueses estão a torcer pela nossa seleção, não só para se vingarem dos macedónios e dos turcos, mas para mandarem a Alemanha para casa, de braço dado com a Dinamarca ou a Holanda. Isso não quer dizer que não haja um ou outro português cheio de pena por ter de afrontar a senhora Merkel e, eventualmente, cheio de medo das represálias que está habituado a fazer por cá.   

 

Tudo isso não impede que vamos ter um tempinho, ou um tempão, em que os portugueses vão vibrar com as aventuras memoráveis da nossa seleção na Polónia, ou na Polónia e na Ucrânia. Claro que ninguém pensa que, no regresso ao país, podemos ter um inesperado abismo, talvez um pouco melhor, ou muito pior, quem sabe, do que aquele que tínhamos há um ano atrás.

 

Estou convencido que a senhora Merkel, devido à influência do senhor Hollande, não vai vingar-se do senhor Passos, que terá prometido estar a torcer para que a Alemanha fique em primeiro lugar e Portugal em segundo. Tudo porque já teria um acordo prévio com o árbitro do desafio Portugal/Alemanha, para que o jogo terminasse com um empate salvador para ambos os países.   

 

Para que fiquemos mesmo a salvo de qualquer abismo, é necessário muito apoio à nossa seleção. A confiança de Bento é preciosa. O valor dos selecionados, incalculável. O sacrifício financeiro dos federativos, impagável. Mas falta ali qualquer coisa. Faltam exemplos de dignidade extrema, de moral impoluta, de dedicação séria à causa nacional. Falta ali a presença de Cavaco Silva e Miguel Relvas.