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afonsonunes

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08 Jun, 2012

Super sexta-feira

 

Antes de mais nada, esta sexta-feira dia 8 e Junho, é a data limite para que os contestatários da seleção de futebol, que tem estado na Polónia, possam desopilar as suas dúvidas e os seus receios sobre a vida e obra de todos quantos por lá andam, quer cantando e rindo, quer sofrendo as amarguras de tudo quanto se vai dizendo nos mentideiros nacionais.

 

Porque a seleção deixa a Polónia e parte para a Ucrânia, o que quer dizer que se acabaram as festas e as brincadeiras, para quem as faz mas, principalmente, para quem diz que eles as faziam. Sexta-feira, dia de reflexão, véspera da barraca ou da glória, continuação das festas ou dia de mergulho na deceção. Mas também a sexta-feira em que o pensamento tem de estar todo concentrado na Alemanha.

 

É muito difícil para os interessados, agora concentrados na Ucrânia, arranjarem tempo e disposição para pensarem só na Alemanha, quando ainda há Óbidos, Leiria, Luz e Polónia, a martelar nas suas reminiscências. Tudo porque um Manel e um Carlos, agora regressados de um qualquer exílio, se lembraram de botar as suas opiniões, com as intenções que só eles conhecem.

 

Mas, como hoje é sexta-feira, véspera de sábado, obviamente, dia de tira teimas, vou meter o meu bedelho na conversa, porque amanhã já seria tarde. Tarde, não sei para quem, nem porquê. E muito menos por que razão se está a faltar ao respeito seja lá a quem for. Ou o senhor Humberto, lá porque é Coelho, também julga que se pode armar em Miguel Relvas?   

 

Lá que o senhor Humberto foi um herói dos relvados e, pela conversa, parece que continua a ser, não tem o direito de exigir aquilo que ninguém lhe tirou. O respeito conquista-se e, de duas uma. Ou não o conquistou e não tem razão para o exigir, ou se o conquistou, não tem de exigir aquilo que já tem. Quanto às opiniões de estranhos, boas ou más, se julgamos que não prestam, ignoramos.

 

Se alguém tinha de se chatear com conversas dessas era o ministro responsável pelo desporto, até pela sua sensibilidade quando estão em causa valores que ele muito preza. Que não é o caso. Relvas e Coelhos nem sempre podem estar unidos como unha com carne. Aqui, neste caso da seleção, há Coelho, Manel e Carlos. E chega, pois sendo dois a falar e apenas um a exigir respeito, a conversa termina qui.

 

Até porque é sexta-feira. Mas sempre arrisco que quem nos avisa nosso amigo é. O Manel e o Carlos, cada um à sua maneira, pretenderam apenas incentivar toda a gente, como reconhecem os jogadores. Logo, ou melhor, amanhã, eles vão lembrar-se do Manel e do Carlos durante os noventa minutos de jogo e mais os quinze do intervalo. Grande incentivo, que o país não deixará de agradecer através do Miguel.

 

Mesmo assim, a partir de hoje, sexta-feira, vamos lá todos calar o biquinho porque há gente muito sensível na Ucrânia. Depois, até os incentivos e os encorajamentos podem ser prejudiciais no dia de reflexão. É que há sempre quem tenha o mau hábito de refletir para o lado contrário. E em vez de ser encorajado pode acabar por deixar escapar a coragem para a Alemanha.  

 

Aliás, é preciso ter muito cuidado com este jogo. Todos os portugueses têm muito respeitinho pela Alemanha. Por uma questão que já vem de longe. Não porque eles sejam melhores que nós. Nada disso. Talvez porque muitos portugueses vivem do orçamento deles. Mesmo agora, estão a recrutar engenheiros portugueses a um preço exorbitante. Apostava que estão a comprar alguém para ganhar o jogo.

 

Agora, a partir deste momento, que ninguém venda o seu patriotismo até ao fim do jogo de amanhã. Mesmo que vos ofereçam mil e uma garantias de que Portugal não sairá derrotado. Até pode não sair. Mas sai de certeza, se for vendido ao desbarato. E se o jogo Portugal/Alemanha continuar empatado, como acontece há muitos anos, bem podemos ficar caladinhos para sempre.