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afonsonunes

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Ontem comemorou-se o Dia de Portugal. Como estamos em contenção nunca seríamos capazes de fazer comemorações em dois dias seguidos, o que seria considerado um desperdício. Daí que tenhamos condescendido em que o dia de sábado, nove de Junho, fosse comemorado pelos alemães como o dia da Alemanha. Um gesto que só pode significar que o nosso cheiro foi enganado.

 

Se no sábado a festa não foi nossa, no domingo ouvi dizer que o dia era de festa e alegria, coisa que constou de um discurso em que, ao ouvi-lo, me senti sentado na velha carteira da minha velha quarta classe, assistindo a uma lição de história de Portugal. História essa que ainda não incluía os últimos vinte anos, pois os reis então estudados, foram substituídos pelos heróis da nossa república.

 

Principalmente, a história do fundador da nossa felicidade, como povo nacional e europeu. As graças de então fizeram-me inveja. As desgraças de hoje fizeram-me vir as lágrimas aos olhos, apesar da ténue esperança de que já havia sinais muito ténues de que em breve ficaríamos a saber que nada está conseguido e de que nada nos pode ser garantido. Fiquei mais animado.

 

Nada como termos alguém que nos conforta assim. Mas, antes disso, ouvimos uma verdadeira lição de um catedrático a sério. Sobre esse discurso não ouvi comentários nas televisões, mas cheirou-me que anda qualquer coisa no ar que pode mesmo vir a cheirar a esturro. Não por causa dos tais sinais ténues, mas por causa do mau hálito que se sente sair de várias bocas que nunca deviam abrir-se.

 

Não me parece que o Dia de Portugal tenha sido um dia de especial festa e alegria, pois nem sequer ouvi um foguete a rebentar no ar. É verdade que me cheirou a qualquer coisa parecida com fumo de pólvora queimada, mas não se viu nada que perturbasse o silêncio das festividades e muito menos o prazer da alegria que costuma animar o povo. Certamente, fui eu que não vi.

 

Lá mais para a tardinha cheirou a qualquer coisa vinda através da cegonha que nos costuma trazer as novidades de Paris. A esquerda parece que ganhou as eleições francesas, coisa impensável ainda há poucos meses. Chego a pensar que esta reviravolta tão inesperada como surpreendente, só pode dever-se a alguém muito importante, e muito influente também, que por ali se passeia ainda não há muito.

 

Mas há um outro cheiro a qualquer coisa que vem aqui da nossa vizinha Espanha. É um cheiro ainda indefinido e é um cheiro que nós já sentimos de há um ano para cá. Fico de boca aberta ao ver como é possível um país prá aí meia dúzia de vezes maior que o nosso, andar a perseguir-nos, imitando os passos do nosso homem que foi, e continua a ser poderoso por cá, e agora até está a mudar a França. 

 

Portugal também está a mudar. Já lá vai o tempo em que se punham bandeirinhas e bandeironas nas janelas. Portugal estava habituado a ganhar e ganhava mesmo, porque tinha um felipão que falava grosso e pouca gente o percebia. Agora, cheira-me a que os filipinhos que nos representam, têm umas vozinhas muito ténues e começam a cantar muito antes de começarem os concertos. Depois, cansam.

 

Ora, com toda essa desorganização, até as bandeiras se encolhem. Começa a cheirar a qualquer coisa esquisita. O povo lá vai batendo palmas, mas torce o nariz e olha em volta, procurando descobrir a origem do cheiro. Lá vai aparecendo um ou outro sorriso para que pareça haver alegria suficiente para animar os promotores das festas e dos desafios que vão tendo cada vez menos assistência.

 

No entanto, são cada vez mais os treinadores de bancada. Que chegam para suprir a falta de espetadores. Qualquer dia, os relvados ficam a abarrotar de jogadores, enquanto as bancadas tendem a ir-se despejando, porque todos querem entrar no jogo. Os árbitros, mesmo os que levam bandeirinhas, vão acabar por ser engolidos. Cheira-me que o jogo vai acabar mal. Continuaremos a perder.