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afonsonunes

afonsonunes

18 Jun, 2012

À esquerda rodar!

 

Isto até parece uma voz de comando numa marcha militar. Mas, em boa verdade, para muitos e bons democratas, será a voz de um qualquer imbecil de esquerda que manifesta as suas aberrantes ideias, ofendendo assim a ética e os bons costumes, aos quais só a direita pode ter acesso. Porque os esquerdóides, parasitas da sociedade, dela deviam ser banidos para sempre.

 

A esquerdalha, ou a escumalha, tolerada na sociedade onde lhe é permitido viver por especial concessão da direita, magnânima e bondosa, é a causa de todos os males de que ela enferma, nomeadamente, o despesismo e o roubo sistemático do estado, que assim se vê privado dos meios que essa direita queria e podia distribuir pelos mais necessitados.

 

Acontece que a direita virtuosa e salvadora nada pode fazer, porque os inúteis e preguiçosos esquerdistas, tudo devoram sem nada produzir, levando o estado à bancarrota e empurrando os pobres para a porta das misericórdias, das autarquias e de outras instituições assistenciais. Porque é a única maneira de minorar o resultado da governação ruinosa de um estado que deu tudo o que não tinha.

    

Daí que o estado, para sobreviver, tenha de se libertar de todos os subsídios dados à vadiagem que não quer trabalhar, que anda atrás dos sindicatos comunas ou xuxas, para xular o estado e os cidadãos que cumprem as suas obrigações e trabalham para que o país ressuscite de misérias passadas, todas elas com o rótulo bem visível da sua origem esquerdóide.

 

Resumindo: uma sociedade onde a esquerda é para abater. Para erradicar. Definitivamente. É assim que pensa uma determinada, ou indeterminada, quantidade de gente que se pronuncia através de escritos ou comentários que todos nós podemos ler por aí e até ouvir de viva voz em qualquer sítio, onde a liberdade que eles não consentem aos outros, lhes permite tamanho desplante.

 

Acontece que, ciclicamente, os ventos mudam e as coisas acabam por lhes demonstrar que ninguém é para ser abatido. Nem erradicado. Muito menos definitivamente. Porque se alguém está dentro de parâmetros relacionados com a imbecilidade, não é a esquerda que o é por convicção, mas sim a direita, melhor, essa gente que, sendo mesmo imbecil por natureza, não se cansa de generalizar com toda a esquerda.        

 

Obviamente que, ser de esquerda ou de direita, é ser gente. Gente que vota e determina quem ganha e quem perde. Quem governa, afinal. Foi isso que aconteceu agora na Grécia. Onde a direita já consentiu que a esquerda quase lhe abafasse a voz. Não interessa discutir agora se é bom ou se é mau para a Grécia. Interessa dizer que não há aqui imbecis, nem de um lado nem de outro. E, se houver, então, são todos.

 

Foi o que aconteceu agora em França. Onde a esquerda superou a direita inexoravelmente, como já o havia feito nas presidenciais. Essa esmagadora maioria de esquerda, não é escumalha da sociedade francesa que luta apenas por viver de subsídios. Não são bandos de esquerdistas, ou esquerdóides, que deviam ser obrigados a emigrar para deixar em paz a pacífica e virtuosa direita.

 

Na Grécia, tal como na França, não convém utilizar o argumento tantas vezes ouvido por cá. O povo é estúpido. O povo não sabe o que faz. O povo é que tem a culpa de tudo. Na Grécia, como na França, como em Portugal, não é o povo que se engana quando vota. O povo é enganado a toda a hora por aqueles que escolheu, com base nas mentiras que lhe impingiram. Depois, vinga-se.

 

Como não há fumo sem fogo, é natural que o fenómeno já tenha rastilhos acesos em outras partes por essa europa fora. Depois, os foguetes são, só por si, um rastilho natural que até se pode acender a si próprio. E a direita tem deitado tantos foguetes, muitos deles de lágrimas reais, sentidas e doridas. Os foguetes nunca poderão servir para agredir ninguém pois, por vezes, até rebentam nas mãos de quem os deita.