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afonsonunes

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A teoria é simples e facilmente demonstrada. Quem não tem dinheiro não pode expressar o seu descontentamento, muito menos a sua revolta, porque quem tem o dinheiro não admite contestações e, portanto, reclamar seja o que for, só vai provocar a ira de quem o tem e a sua indisponibilidade para o emprestar a quem não mantenha o biquinho calado.

 

Isto, transportado para a prática, quer dizer que os países em dificuldades não podem expressar nas urnas, através do voto, a sua vontade de mudança, perante as muitas dificuldades que os seus cidadãos vão encontrando para sobreviver a essa ditadura imposta por quem tem o dinheiro. Dinheiro que é mostrado antes do voto e que é imediatamente escondido após o fecho das urnas.

 

Esta teoria tem os seus defensores com o argumento de que se não pode sobreviver após a bancarrota que se seguirá a resultados inconvenientes nas votações em partidos que não estão dispostos a deixar que essa progressiva degradação da pobreza, vá fazendo com que cada vez mais pessoas da classe média, vão caindo na pobreza, à medida que lhes retiram salários e reformas.

 

É a isso que estamos assistindo. Porque, a bancarrota e as consequentes e nefastas misérias daí resultantes, não são tão assustadoras para quem já está na miséria, como para quem ainda tem dinheiro para o sustento da casa e da família. Quem já não tem nada, não vai perder nada. Mas quem ainda tem alguma coisa, entra em pânico com a possibilidade de perder tudo. Daí, a defesa da tese do dinheiro.

 

Porque a bancarrota levada ao extremo, vai privar os endinheirados de muita coisa, ainda que o dinheiro lhes sirva para ir comprando a servidão de muita gente que é obrigada a servir a qualquer preço. Mas, é evidente que essa situação não é eterna. Porque a servidão cria anticorpos e a fome cria revoltas que, por sua vez, vão inevitavelmente bater à porta do dinheiro. Nem sempre com delicadeza.

 

É, pois, natural que em alturas de eleições se erga o papão da bancarrota e da defesa de todos os interesses conotados com quem tem o dinheiro. Ora, isto pressupõe que quem tem o dinheiro, tenha mesmo de comandar o mundo para sempre. Sabemos que assim tem sido de há muitos anos a esta parte, mas convém não esquecer as consequências que estão à vista.

 

É verdade que muita gente tem feito a sua vidinha regalada com este sistema e tem medo de a perder. Mas tudo indica que essa gente vai sendo cada vez menos e corre cada vez mais riscos, pois o dinheiro pode vir a ter os dias contados em termos de garantia de segurança e de continuação de domínios em tudo o que lhe tem permitido controlar pessoas e recursos em todo mundo.

 

Dir-se-á que até lá a vida continua e continuará. É verdade. Mas são muitos os locais em todo o mundo em que muita gente já tem muitos receios, precisamente, gente que estava habituada a passear a sua vida e os seus haveres com toda a naturalidade, em qualquer sítio da sua preferência. É bem sabido, que hoje já não é assim. E isso tanto acontece nos meios mais policiados como nos meios rurais.

 

Porque as polícias, por mais que sejam bem reforçadas e bem armadas e equipadas, cada vez vão tendo mais dificuldades em se defender a si próprias, quanto mais acudirem a todas as portas onde haja qualquer coisa para roubar. Já não basta que os ricos tenham os seus bunkers invioláveis, porque também eles, não podem permanecer ali a vida inteira sem ver a luz do dia.     

 

Bem podem iludir-se os que julgam ter o seu futuro a salvo só porque têm dinheiro, ou têm onde ir buscá-lo, com maior ou menor dificuldade. Bem podem aconselhar os outros usando o fantasma da bancarrota. Bem podem pensar que a sua bancarrota não existe, se não cuidarem de pensar nas origens da bancarrota dos outros. O dinheiro sempre foi, e sempre será, o pior móbil de entre todos os crimes.