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afonsonunes

afonsonunes

23 Jun, 2012

A Bem da Nação

 

Quando as coisas não se resolvem por si próprias, o que normalmente é muito difícil, é preciso um empurrãozinho, para a primeira coisa começar a mexer-se. Depois, as outras, é uma questão de tempo. Elas lá se vão empurrando mutuamente, nem que seja a pontapé. Como o fez o nosso primeiro que, mesmo lá fora, não se fartou de dar pontapés na atmosfera enquanto via a bola.

 

E esses pontapés acabaram por criar a inércia suficiente para que a bola entrasse mesmo, apesar dos milhares de quilómetros que separavam o autor dos pontapés, no Brasil, e a distante baliza checa no europeu. Mas, se não fosse a pontapé, teria de ser à chapada ou à lambada, porque através de ameaças e de boicotes estava escrito que isso já não resulta, por causa de um desregulado presente no estádio.

 

E assim lá vamos ganhando para os gastos, apesar do número de acompanhantes que por lá abundavam. A mim surge-me a dúvida se todos eles foram convidados a custo zero, ou se o custo zero foi, precisamente, para os convidados. Se é que todos foram convidados, pois também não faço a menor ideia se muitos deles não se auto convidaram. Ou, simplesmente, se não apareceram a preencher os lugares vagos no avião.

 

Também não excluo a hipótese de alguns desses convidados o terem sido, devido à sua especialização em marketing. A oportunidade era extremamente favorável a contactos com altas personalidades estrangeiras, interessadas em comprar uns monos que temos cá e que dava um jeitão serem vendidos. Por exemplo, estádios que já foram do euro e agora não servem senão para agravar o défice.

 

Estes prováveis técnicos de marketing, mesmo sendo viajantes amadores, sempre podiam dar uma ajudinha aos profissionalíssimos e competentíssimos ministros e outros, que estão a percorrer países de todo o mundo, em busca de compradores de tudo o que cá temos e não nos serve para nada. Como não nos serve para nada, também não podemos exigir que nos paguem grande coisa.

 

Mas também não se gasta muito com estas viagens intercontinentais que, imagino eu, devem ser pagas através de vouchers que as empresas públicas eventualmente tenham em stocks ilimitados. Eventualmente, também os comes e bebes, podem ser suportados pelos empresários de carteira bem recheada, penso eu ainda, pois já devem ter sido convidados para ajudar a suportar essas despesas.

 

É evidente que, viagens deste gabarito, suportadas exclusivamente pelo estado, eram impensáveis. E, sobretudo, impagáveis. Porque um estado que quer sair da banca rota que herdou, não podia gastar em marketing de vendas, o que não consegue obter com o produto dessas vendas. Ou seja, é gastar balúrdios com marketing de altíssimo nível, para vender coisas de baixíssimo valor.

 

Parece-me a mim, que nunca estudei marketing a esse nível, que era muito mais rentável fazer cá, internamente, uns cursos nas novas oportunidades, onde todos os viajantes, públicos e privados, em perfeitas e baratinhas parcerias, discutissem essas vendas a preços de saldo e fizessem um rateio entre eles próprios, combinando pagamentos em suaves prestações, ainda que até ao fim das suas vidas.

 

Tudo isto foi feito com contas de cabeça, porque não tenho calculadora nem saberia trabalhar com ela. Mas, pelo que tenho ouvido falar, ainda há quem saiba menos que eu. E então de contas de sumir, onde é mais que evidente a diferença entre o que se recebe e o que se gasta. Assim, a olhómetro, o país sairia a ganhar os muitos milhões que anda a perder todos os dias.

 

Como comecei isto a pontapé entre o Brasil e o Euro, onde os convidados, as viagens e os viajantes, fizeram os já conhecidos sucessos, não posso deixar de salientar outra despesa que não é, de modo nenhum, desprezível. As muitíssimas mensagens, longas, fortes e emotivas mensagens, destinadas aos nossos heróis do pontapé na bola. Espero que os mais sensíveis, não se ofendam comigo. É tudo a bem da nação.