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afonsonunes

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A verdade é que, bem analisada a coisa, ela também já não gosta de ninguém, embora haja uma ou outra exceção, devidamente comprovada e justificada com a necessidade que ela tem de mostrar que não há regra absolutamente rígida. Isto de se gostar ou não gostar, aliás, é um conceito muito discutível, pois está provado que quanto mais pancada o cão apanha, mais gosta do dono.

 

Eu sei que o cão não era para aqui chamado, mas a escrita tem destas coisas. A gente embala e às tantas não consegue parar quando quer, qual carro que, de repente, fica sem travões. Queria eu dizer cá na minha, que ela diz umas coisas muito sonoras que, tal como a primeira, arranca cheia de força, mas depois a velocidade não aumenta. É mais o barulho que o rendimento.

 

Também a primeira não era para aqui chamada. Mas o primeiro, sim, que é a verdadeira governanta cá do sítio. E é dela que já ninguém gosta, no dizer de ilustres que tudo discutem, mas que de nada servem agora, pois já só sabem falar de tudo o que, no dizer deles, anda totalmente desgovernado. Nada de novo, visto que já no tempo deles era assim. Claro que eles podem já ter aprendido alguma coisa.

 

Também temos de dar tempo à governanta para que passe da fase de formação à fase de execução. O problema é que a governanta está a formar-se em não gostar de ninguém. Aliás, tem o hábito de considerar não assuntos, todos os problemas que não lhe apetece analisar. Ora, os que não gostam dela, não se conformam com tantos não assuntos que vão ficando atrás das costas dela.      

 

Esta coisa dos sim assuntos e dos não assuntos deixam muita coisa no ar. Por exemplo, um curso inferior tirado a um domingo, é um sim assunto que tem de ser, forçosamente, assunto para discussões de muitos anos e investigação que nunca mais tem conclusão definitiva no blá blá das serviçais da governanta. Já o curso de um dos seus serviçais é um não assunto, apesar do sim que o traz para a ribalta.

 

Isto, porque não foi tirado a um domingo, mas ao longo de todos os domingos de um ano. Que são quarenta e oito domingos, se é que o meu curso de contas não me atraiçoa. A mim, que sou especialista em análises ao sabor do saber, tem muito mais mérito quem consegue tirar um curso num só domingo. E isto não é uma não análise, porque eu valorizo muito quem trabalha bem e depressa.

 

O próprio curso da governanta, também tem que se lhe diga, mas com a particularidade de ser um curso, sim, mas um curso tão lento como o serviçal cursado a sério Gaspar. Pois, pasme-se, o curso da governanta foi conseguido ao longo de todos os dias da semana de muitos anos a fio, num marranço que só pode ter resultado numa preparação excecional, para uma governança sem mácula.

 

Mas o maior não assunto é, sem dúvida, o não gosto de todos os membros da família por uma governanta competente em todas as matérias bem estudadas e bem executadas. Situação que leva a governanta, muito contra a sua vontade, a considerar que isso é uma não situação, provocada por não cidadãos, não amigos da família e não contribuintes para a não segurança da mansão governada.

 

A governanta está mesmo convencida de que há uma onda de burlões especializados em destruir todos aqueles que deviam gostar dela e já não gostam. Ela sabe que até já lhe entram na despensa e limpam todas as prateleiras com uma suavidade impressionante. Assim, ela tende a ser uma não governanta que a breve trecho não terá nada para pôr na mesa na hora da não refeição.

 

A continuar assim, até os não descontentes passarão, mais tarde ou mais cedo, a também não gostarem dela nem deles próprios pois, tal como indicam as sondagens não credíveis, já não se pode dizer que há gostos para tudo. Em boa verdade já ninguém gosta de ninguém. A governanta cada vez vê mais portas que  não controla. Portas que cada vez mais se fecham cá dentro e se abrem lá fora. São modos de não gostar.