Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

12 Jul, 2012

O estudo da nação

 

Estudar uma nação não é uma tarefa fácil para qualquer cidadão em estado de espírito a tender para a preguiça mental e recetivo à badalada que soa aos quatro ventos. Esse estudo, que tem de ser sério, não pode ser veiculado pelos ministros que se auto elogiam muito, ou pelos partidarizados que se flagelam constantemente para exigir que os membros do governo façam o mesmo.

O estudo e a nação são duas coisas completamente diferentes, apesar de haver quem goste de as misturar, com o argumento de que andam à procura de coisas melhores e piores que aquelas que temos. Até podem estar a pretender dar um bom contributo à nação, mas a verdade é que, muitas vezes, as coisas que eles descobrem como as melhores, acabam por ser as piores.

Ontem foi um daqueles dias em que o estudo da nação se fez na aula grande do país, onde os estudantes e os professores percorreram páginas e páginas de oratória, em busca de qualquer coisa que eles sabem que existe, mas que continua oculta. Essa coisa deve ser a verdade e a seriedade dos estudos que eles, por muito que se esforcem, não conseguem compreender.

Mas, alguns encontram-nas de cada vez que abrem a boca. E então soltam um chorrilho de reflexões loucas em que atiram as bojardas ao ar e, logo de seguida, abrem fogo sobre elas. São como aqueles caçadores que levam o coelho dentro de um saco e, chegados ao campo, soltam-no e atiram sobre ele. É a maneira mais eficaz de poderem dizer que já não ficaram a bode. Se não falharem o tiro.

Tudo isto faz parte do estudo da nação valente, que tantos valentes deu ao mundo, em contraste com os fracos que gostam de armar em fortes, quando nem sequer sabem estudar, porque sempre passaram o seu tempo a impedir, através dos seus ruídos despropositados, que os bons estudantes descubram algo de jeito através do estudo sério, no caso, ouvindo e falando, com ordem e respeito pelo que ouvem.

O estudo da nação a que ontem assistimos permitiu-me concluir que há estudantes que nem estudam, nem deixam estudar. Talvez seja por isso que aquela aula não funciona mesmo. Com dois professores externos que não convidam mesmo nada aos consensos que tanto se esforçam por pedir, mas que tudo fazem para que apenas encontrem matéria nos remoques dirigidos aos estudantes que vêm de outras turmas.

Mas, muito piores que esses dois professores são alguns chefes de turma que, no desejo de lamberem as botas aos professores, usam uma linguagem imprópria da escola que frequentam, além de uma falta de ética e de espírito de repulsa pelas verdades mais elementares, que me arrepiam. Toca-me profundamente ver como, descaradamente, se mente em nome de verdades que não passam de pura má-língua.

Tudo porque aquela escola, aqueles professores e muitos daqueles alunos, não estão ali para fazer o estudo da nação. Estão ali para difundir as lições que lhes foram ministradas em outras turmas, com outros professores e programas completamente diferentes. Acontece que esses vários grupos de alunos, agora debaixo do mesmo teto, não encontram outra maneira de estudar que não seja pelo insulto mais soez.

Portanto, eles não estudam a nação porque já estudaram os seus domínios, que são vastos e ricos em ideias e em diretrizes convergentes com os seus interesses de turma. O estudo da nação não lhes interessa, na medida em que outros estudos contraditórios lhes garantem a cadeira, sem pagamento de propinas e com prémios pecuniários garantidos sem terem de fazer exames.

E, assim, assistimos ao desespero de uns, porque entendem que o diálogo é a submissão dos outros às suas teorias, que dizem sem alternativas, enquanto os opositores lhes fazem ver que, diálogo é troca de ideias sem restrições nem condições, para que se encontre um ponto de convergência em que todos possam ter de ceder alguma coisa. Só assim o estudo da nação, pode realmente vir a ter alguma utilidade.