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afonsonunes

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Longe vão os tempos em que estes temas estavam sempre presentes nos grandes discursos da nação valente e imortal. Nos dias de hoje ainda há quem os invoque, mas já são poucos os que o fazem e terão até algum receio de os associar. Separadamente, lá se vão referindo a cada um deles como guiões para as suas vidas pretensamente dedicadas às causas em prol da sociedade.

Deus é a luz de olhos voltados lá para cima, enquanto bocas temerosas balbuciam rezas ardentes. Porque Deus, para muitos portugueses, está lá no alto a olhar para todos nós. Cada pessoa tem o seu deus, consoante as espectativas que tem de ajudas divinas. Quem é crente, espera de Deus o que não espera dos homens que fazem da vida dos seus semelhantes, um autêntico inferno.

São aqueles que muito invocam Deus que nada fazem para seguir os seus mandamentos. Certamente que o invocam em vão, porque tudo o que dizem está em total contradição com o que fazem. Portanto, fazem-no, hipocritamente, não por obediência a princípios e deveres de consciência, mas por interesses que apenas têm a ver com a sua obstinação em ludibriar aqueles que realmente são crentes a sério.

Ser patriota não é bem a mesma coisa que ser doente por um clube qualquer, e trazer sempre o seu emblema na lapela. Nem tão pouco dizer amiudadas vezes que devemos amor e respeito à Pátria que nos viu nascer. Mais que isso, em todas as circunstâncias, deviam demonstrar a todo o momento que são capazes de lutar por ela e, se preciso, morrer por ela. Mas esses andam mortos por trair os patriotas.         

Patriotas não são os que estão prontos a vender parcelas da Pátria, como se ela fosse coisa que se venda a retalho. Temos exemplos de sobra de atuais vendilhões da sua Pátria, autênticos vendilhões do templo, capazes de vender a alma ao diabo, recebendo em troca uma sociedade dividida e revoltada, em lutas desenfreadas causadas por instintos de proteção de clientelas.

A Pátria, na imaginação dos muitos vendilhões que dizem que a representam, está transformada nas feiras e nos mercados, onde tudo se compra e tudo se vende por preços diabólicos e onde, com a muita e confessada fé em Deus, mas com diabólica agilidade negocial, todos estes patriotas de meia tigela, até conseguem enganar os deuses e os diabos que, distraidamente, se ponham a rezar com eles.

Porém, cuidado, que eles podem insinuar que fazem parte da grande família que, potencialmente pode unir os crentes e os patriotas. Costumam considerar-se irmãos por afinidades que só eles sabem inventar. Porque os laços de família são o inimigo daqueles que sempre viveram sós, para melhor pensarem em si próprios e na maneira de fazer com que todos os outros trabalhem para eles.        

Não se pode falar de família quando tudo o que se faz, na prática, é destruí-la, através do corte sistemático dos recursos que podiam mantê-la coesa. Através das mil e uma dificuldades que impedem que se mantenha unida nos locais onde sempre viveram. Através da permanente ameaça de que nada do que outrora foram laços familiares indestrutíveis, lhes pode ser hoje garantido.

A família não pode, como está a ser hoje, empurrada para a compaixão alheia, por troca com os direitos aos quais já estava justamente habituada. As famílias honestas não podem ser o bode expiatório dos que não veem nelas, senão o sugadouro dos réditos que julgam pertencer-lhes em exclusivo. A família não pode ser uma bandeira para agitar aos ventos da hipocrisia e da propaganda de um falso humanismo.

Deus, Pátria, Família. Três bandeiras que deviam ser de paz, de união e de solidariedade. E que o são ainda para muita gente que não esqueceu o que herdou dos seus antepassados. O que herdou de bom, os sentimentos que antecederam estas guerras de egoísmos, de crenças exacerbadas, de riquezas, de ódios, de vinganças, de invejas, de sedes de poder, que a tudo se sobrepõem. Que todos os deuses nos ajudem.