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afonsonunes

afonsonunes

16 Jul, 2012

Aprovado

 

Toda a gente tem o dever de ser sério para com o estado, ainda que o estado nem sempre seja sério para com todos os cidadãos. Se houver uma ou mais pessoas que estejam a vigarizar o estado conscientemente, são todos os cidadãos cumpridores que estão a ser vigarizados.

Na problemática dos impostos que se pagam ou não pagam, como na questão dos subsídios que se recebem ou não se recebem. Trata-se, obviamente, de quem vive e trabalha para que o país seja viável, ou de quem vive e, podendo trabalhar, prefere viver dormindo à sombra do estado.

Nesse caso, o mesmo é dizer que há quem prefira viver à sombra de quem se esfalfa a trabalhar para sustentar a preguiça e a inutilidade. E não é difícil encontrar quem, descaradamente, faça questão de mostrar que assim é que se está bem.

Há muitas teorias sobre esta justiça ou injustiça do estado tratar estes cidadãos, parecendo até que há quem sustente que deve ser o estado a meter o trabalho nas mãos de quem o não quer aceitar. E, nesse caso, não deve ser o estado a cortar o privilégio de não querer trabalhar.

No meio desta tão controversa matéria, parece que finalmente o estado vai tomar, ou já tomou, uma decisão. Que é a questão do contrato que deve ligar a situação do cidadão ao estado, que lhe concede direitos em troca de obrigações, ou deveres.

E é aqui que coloco o meu aprovado pois, se quem recebe salário tem de pagar com trabalho prestado, quem recebe um subsídio, ou uma compensação qualquer, também deve pagar com contrapartidas ao seu alcance. Ainda que elas sejam meramente uma questão de filtro de situações irregulares.

É evidente que quem gosta de praticar irregularidades, e há quem as tenha praticado ao longo de toda a vida, vai lançar raios e coriscos sobre a desgraça que lhe vai acontecer. Desgraça que passa, sobretudo, por ter de deixar muitos trabalhos a que chamam biscates.

Tal determinação vai acabar com situações de algum fausto de vida incompatível com a evidente condição de subsidiados que nada fazem para sair de casa em busca de um modo de vida mais transparente e, sobretudo, mais justo aos olhos de quem paga privilégios de que não beneficia.

No entanto, que esta medida moralizadora não sirva para excluir do sistema quem não tem possibilidade de sobreviver à incapacidade e, ou, à doença que impeça a procura de outro modo de vida. Como também não pode atingir quem caia em situações de pobreza de que, por si só, não possa ultrapassar.

Mas deve servir para excluir do sistema, quem pensa que tem direitos que são devidos apenas à sua pessoa, ou a grupos de pessoas que se habituaram, ou têm hábitos adquiridos, de que são casos especiais, com comportamentos que não são admitidos à sociedade em geral.

As facilidades, tal como as dificuldades, têm de ser coerentemente distribuídas com criteriosa igualdade de tratamento, porque só assim se responde ao que vi inscrito num cartaz exibido numa manifestação no país vizinho, ‘ Solução ou Revolução’.

Por agora, parece-me que vai sendo tempo de vermos mais medidas como esta, de pôr ordem no país das irregularidades e das incongruências que minam a sociedade portuguesa. Aprovado, portanto.