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afonsonunes

afonsonunes

17 Jul, 2012

Calma gente!!!

 

Há portugueses que estão a ficar muito agitados, correndo o risco de ter de recorrer a alguém que os leve a uma urgência hospitalar. É bom que se vão apercebendo que essa agitação se torna cada vez mais perigosa e, além de nem sempre terem por perto quem os leve lá, podem também não ter tempo de lá chegar.

Portanto, o melhor é mesmo manter muita calma, beber um chazinho quente com frequência e deitar para trás das costas essas preocupações mesquinhas de que o país vai acabar, porque não temos gente competente que nos garanta que vamos ter dinheiro para comer e para ir às urgências.

É tudo coisas de gente transtornada. É evidente que temos gente que nos garante que daqui a algum tempo vamos ter dinheiro, muito dinheiro, para tudo, até para contratarmos os melhores políticos do mundo, para virem aqui entortar o que ainda está direito. Já falta pouco tempo.

Parece uma parvoíce mas não é. O que ainda está direito é um diabinho do governo que D. Torgal já viu em forma de gente. Certamente que haverá quem não acredite. Mas quem sou eu para duvidar de tão eclesiástica voz? Até porque me parece que ele também terá visto muitos anjinhos no mesmo sítio.

O que ainda está direito é o sentido de humor desses anjinhos que dizem que não há melhor companhia, para terem momentos de relax e prazer, que um diabinho sempre à mão. Dizem até, que é muito fixe. Muito melhor que passarem a viver a poucos metros de uma urgência hospitalar.   

Isso equivale a dizer que no governo não há quem corra o risco de um bafo repentino que necessite de um nim-nó-nim para o levar à urgência, o que tranquiliza todos os portugueses. E, acima de tudo, é uma garantia de que, tal como eles, também nós estamos seguríssimos.  

Provadíssimo fica também que, afinal, um diabinho sempre à mão dá muito jeito à saúde do governo e do país, que é como quem diz, de todos os portugueses. Portanto, renovo o pedido de calma, muita calma, porque essa agitação, esse nervoso miudinho que se vai notando por aí, não tem razão de ser.

A não ser para quem não possa passar sem ir todos os dias à urgência. Porque isso faz parte do seu dia-a-dia. É o seu momento de diversão. Portanto, para esses, aconselho que se mudem para a rua ou a avenida onde se encontra instalada a urgência.

Mas, nada de precipitações. Informem-se primeiro, não vá a urgência mudar-se para outra cidade a menos de uma hora. Não sei se a uma hora de charrete ou de helicóptero. Mas não se preocupe, em todos os casos, a sua saúde está completamente garantida. Ou o seu prazer, se for esse o caso.

O país estava cheio de riscos. Riscos, nas paredes, nas estradas, em S. Bento, em Belém, enfim, não havia nada que não estivesse riscado. E até se notava um desejo ardente de riscar pessoas, como quem risca outra coisa qualquer. E, ou me engano muito, ou ainda há quem queira riscar alguém.

Mas, tenham calma, muita calma, porque o que havia a riscar já foi riscado. Agora já não há que endireitar nada. É tudo uma questão de encarar a vida. O país segue em frente, sem qualquer espécie de dúvida. Mas quem quiser ficar para trás, que não tenha problema. A sua vontade é soberana.

Tão soberana como nunca foi nos nossos longos séculos de existência, como país de vanguarda e de vanguardistas. Não degeneres, senão ainda dizem que não és de cá. Calma, tem muita calma, que isto vai lá. Com urgência ou sem urgência.