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afonsonunes

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18 Jul, 2012

Veneno no sangue

 

Até parece que o país anda envenenado, tal o frenesim que vai por tudo o que é informação, se é que não anda por aí muita desinformação misturada. Como resultado de uma ou de outra, os seus destinatários entraram em órbita, divididos em dois grupos de astronautas, cada qual no seu foguetão.

Um dos grupos está injetado com um veneno alaranjado que não pensa noutra coisa que não seja o abate do outro foguetão, onde se instalaram os envenenados com uma mistura resultante de vários venenos obtidos em colheitas multicores com predominância dos tons avermelhados.

Os envenenados, quer os de um foguetão quer os do outro, têm em comum o desejo de voltar à terra em situação de poder dominar os ocupantes do outro, depois da aterragem. Porém, já é por demais evidente que os alaranjados estão mesmo dispostos a arriscar tudo, incluindo a própria sobrevivência.

Nota-se que já disparam em todas as direções, convictos de que táticas antigas ainda são praticáveis nos dias de hoje, sobretudo, depois de terem errado quase todos os alvos perseguidos ao longo de muitos anos. Agora, a tarefa está muito mais difícil, pois o tiroteio parece ter feito ricochetes incríveis.

E as balas que ainda disparam carregadas de venenos, acabam por vir a atingir o seu próprio foguetão, provocando o caos nas suas próprias hostes. Hostes, que se sentem cada vez menos protegidas, além de sentirem que já não estão tão imunes ao envenenamento, quanto era usual.

Até já há quem clame que qualquer um dos dois foguetões deve ser abatido e que o país deve abandonar esta loucura do espaço onde o ar está cada vez mais rarefeito e a possibilidade de escapar ao envenenamento é cada vez mais uma utopia.

O convencimento de que esta gente que manda andar, e anda nos foguetões espaciais, nunca viveu verdadeiramente na terra, bem como os que se habituaram a ser enviados lá para cima. Daí que a habituação aos venenos e aos venenosos, seja já uma rotina de vida.

Depois, habituaram-se a um rol de adjetivos com que se mimam uns aos outros, conforme o ciclo de poder. Por exemplo, quem está no poder é sempre corrupto. Mas, o mais curioso é que, fora do poder, também vão arranjando por onde se amanhar, porque o espaço é grande e os foguetões são só dois.

Os envenenados do foguetão multicores estão a pensar em pedir uma análise séria que divulgue o grau de envenenamento dos ocupantes dos dois foguetões. Estão convencidos que os envenenados alaranjados já excederam todos os limites toleráveis de venenos. Portanto, já deviam estar mortos.     

A verdade é que estão vivos e resistem incompreensivelmente aos seus próprios venenos. O seu foguetão auto incendiado, sem receber qualquer ataque digno desse nome do foguetão inimigo, vai perdendo amigos a todo o momento e corre já o risco de ter de cancelar próximas idas ao espaço.

O foguetão inimigo navega nas calmas. Pensa que o tempo corre a seu favor, esperando o fim definitivo da perda de gás do seu contendor. É o costume, de há muitos, muitos anos a esta parte. Talvez por isso, está mais que provado que continuaremos a não ir para parte alguma. Anda por aí muito veneno no sangue.