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afonsonunes

afonsonunes

19 Jul, 2012

Mais um aprovado

 

Depois de tanto me ter aborrecido e pronunciado sobre a falta das tão anunciadas medidas estruturais que nunca mais chegam, eis que vem aí mais uma das que podem evitar que o país saia da famigerada rede de vigarices que tanto tem contribuído para a ruina de muitos, em favor de alguns.

É vidente que estes muitos, e estes alguns, se podem contar por milhões de portugueses que, direta ou indiretamente, andam a falsear o que devia ser um estado onde a equidade e a justiça social bem podiam atingir a grande maioria dos cidadãos deste depauperado país.

É assim que desta vez aprovo a introdução da obrigatoriedade da fatura em todas as transações comerciais. Mas, que se acabe de vez com a vigarice daqueles talões inúteis e enganadores que dizem, ´não serve de fatura’ ou, na restauração, nos avisam de que se trata de,’ consulta de mesa’.

Certamente que as máquinas que emitem esses desperdícios também podem emitir faturas, retirando aos proprietários dos estabelecimentos, o argumento de que têm mais que fazer que serem passadores de faturas. E com razão. Mas, que não queiram tapar o sol com a peneira.

Quanto às atividades da economia paralela, corre-se o risco de passar por muitas dificuldades na sua substituição por empresas sérias e legalizadas, em múltiplas prestações de serviços que hoje, nos meios mais pequenos, se torna difícil encontrar quem as forneça.

Mas, também é preciso ter em consideração que, ao acabar com os clandestinos, se está a favorecer os legalizados, ou o seu aparecimento que, libertos de concorrência desleal, terão muito mais probabilidades de terem negócios estáveis. E é disso que a economia precisa.

Quanto ao bónus do desconto em IRS, embora a intenção seja boa, na prática, só virão a beneficiar dela, os grandes consumidores. Que, muitos deles, são também os grandes burlões de tudo o que cheira a benesses que o estado dá, ainda que com boas intenções. Mas, de boas intenções está o inferno cheio.

Em lugar dos milhões que o estado vai gastar em bónus, sugiro que gaste os milhões em fiscalizações intensivas, que até podem combater o desemprego, metendo mais fiscais. Depois, cuidado, que há por aí um determinado tipo de agentes que em lugar de fiscalizar, comem do prato que exigem lhes seja servido.

Portanto, volto a aprovar mais uma medida, das muitas que ainda estarão na gaveta e que não há meio de verem a luz do dia. O país não dispensa o sacrifício de todos, apesar de não terem sido todos a cavar os muitos buracos que todos os dias se nos vão deparando pelo caminho.

Pelo contrário, quem cavou esses buracos, todos os dias é compensado com novas benesses, que mais buracos abrem em lugar de taparem os que já existiam. Não adianta conceder milhões de benefícios fiscais aos mesmos de sempre, se tiverem de sair dos bolsos dos que não têm por onde gastar.

Como bom exemplo, recordo que a corte espanhola cortou os salários da realeza, apesar de já ganhar menos que os nossos ilustres representantes da república, os quais, por dever de consciência, deviam meter as mãos na dita e tapar os buraquinhos que por lá andam.

Depois, que se acabe de vez com que, neste país, os representantes da república, tenham a noção de que é preciso ter conhecimentos. Para isso é preciso ter aprendido. Porque nunca se deve pretender ser professor, antes ainda de ter sido aluno. Senão, nunca serão aprovados.