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afonsonunes

afonsonunes

21 Jul, 2012

Respeito

 

Ouvi dizer que Portugal é hoje um país respeitado. Fiquei muito triste com esse comentário. Considero que se trata de uma lamentável ofensa ao passado de um país multisecular, onde tantos antepassados nossos o cobriram de glórias e feitos nunca dantes postos em causa.

‘Hoje’, é a palavra que, no meu entender, está ali a mais pois, Portugal foi, é, e sempre será, um país respeitado, quer os seus detratores queiram ou não. Quer os infelizes lançadores de farpas despropositadas e mal-intencionadas, se esforcem ou não, por deitar poeira nos olhos dos incautos. 

Este, é o tipo de jogada política que o país dispensava perfeitamente. Mesmo que se pretenda que houve quem, a título individual, governante ou governo, merecesse menos respeito durante algum lapso de tempo, bastaria lembrar que quem lança farpas dessas, bem pode senti-las na própria pele.

Não tenho qualquer tipo de relutância em afirmar que me sinto agora mais desrespeitado do que nunca, por quem devia, no meu entender, respeitar todos os portugueses, esclarecendo o que fez e não devia ter feito e dizendo o que não resiste à prova da mais elementar das verdades.

Aquela palavra hoje, deixa implícito que ontem, Portugal não era respeitado. Ora, se Portugal não era respeitado eu, como cidadão português, também o não fui e isso ofende a minha dignidade, porque não fiz mal a ninguém para merecer esse ferrete vindo de alguém que não se respeita a si próprio.

Porque, quem faz os seus juízos sobre os outros, com base nas suas conveniências pessoais, onde se divisam claramente os interesses que as motivam, destapa esses interesses, que são hoje um livro aberto, recheado de páginas escuras como breu, que tentam ocultar com outras páginas de outros livros.

Se ontem o país não fosse respeitado por ter gente pouco séria, então hoje o país seria ostracizado pela promiscuidade que o poder permite, dentro e fora dele. Mas, o país não deixou, nem deixa de ser respeitado, só porque houve e há, quem não mereça respeito nenhum.

Em Portugal, como nos outros países, sempre houve e continua a haver, em maior ou menor escala, gente que se deixa embalar pela força do vil metal, a ponto de vender a sua palavra, ou hipotecá-la, a troco de milhares ou milhões que, necessariamente, envolvem sempre pessoas que se sublimam ou se abatem.

Esses, sim, esses que tudo trocam, no tempo e no interesse do momento, hoje como ontem, não merecem o respeito de ninguém e não têm o meu, apesar do pouco que ele vale, comparado com o desrespeito enorme que eles, malevolamente, têm por mim, cidadão de corpo inteiro.

Estes que tudo trocam, bem mereciam uma investigação às suas intervenções na sociedade, a par daquelas investigações que duram anos a fio sem resultados, a não ser os rios de dinheiro que custam aos contribuintes que nem sequer podem pedir responsabilidades a ninguém.

Pois, falta de respeito, é cada um não prestar ao país as contas do que faz, quando lhe pagam para que o faça. Mas, falta de seriedade, é enganar o país, fazendo-lhe crer que os erros ou omissões de que é responsável, se devem àqueles que os incomodaram ou continuam a incomodar.

O país continuará a ser respeitado, mas do que menos precisamos é de entregar a nossa cidadania àqueles que só nos elogiam, para melhor nos subjugarem aos seus erros, aos seus vícios e aos seus interesses mais que desajustados do respeito que me não inspiram.

Quem quiser que os respeite. Eu, não respeito. Quem quiser, que se deixe enganar por falinhas mansas. Eu não deixo. O respeitinho é uma coisa muito séria e muito verdadeira. Não é uma espécie de sorriso amarelo para mostrar um completo desrespeito pelos portugueses.