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afonsonunes

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22 Jul, 2012

As novas

 

Começo pela nova maneira de governar um país que está teso que nem um carapau frito, um pouco a tender para o estornicado que, ao que parece, é como ele agrada a muita gente. Talvez porque fique mais seco, liberto das gorduras próprias e das da fritura.

E então, a nova maneira de governar está tal qual a velha, pois não consegue diminuir as gorduras do estado, daí que se tenha voltado para a necessidade de preservar e ir aumentando as magrezas dos cidadãos que não tiveram a sorte de chegar à obesidade. É a lei das compensações.

Estado gordo, dirigido por obesos, a não deixar que o pessoal do trabalho fique de tal forma pesado e preso de movimentos, que não dê o rendimento que o país lhe exige. E vai daí que tem de se manter fininho, liso e a dar aos braços e às pernas cada vez mais freneticamente.

Esse princípio não se aplica a todo o corpo. Por exemplo, não se pode dar ao dente como apetecia, visto que esse movimento é um contributo decisivo para criar as tais gorduras que são propriedade exclusiva do estado obeso. Portanto, por aqui, a nova não leva vantagem nenhuma sobre a velha.

A nova maneira de elogiar é realmente um avanço muito significativo nas novas técnicas de levar a água ao moinho de quem se constituiu em moleiro dos que têm grão para moer. O elogio é o seu método de convencer os que, não tendo grão, têm de comprar farinha do grão dos gordos.

Sua excelência o moleiro mor elogia o seu adjunto, o excelentíssimo moleiro, pela forma exemplar como corta na farinha que vende e como não corta no grão que lhe trazem os gordos para moer. O adjunto elogia a forma como os compradores da farinha aceitam pagar uma saca e levar para casa apenas uma sacola.

Qualquer nova tem sempre todas as probabilidades de ser preferida em comparação com uma velha. Diria mesmo que todas as possibilidades de escolha estão do lado da nova. Mas, para surpresa de última hora, quem comparar a beleza exterior da nova, com o íntimo da velha, fica banzada.

O contrário se pode dizer da nova bandalheira que agora se tornou particularmente competitiva com a velha. Se bem me lembro, no tempo em que o novo campeão do turismo governamental, ainda não tinha cheques viagem, havia a ideia de que o crime andava em roda livre por culpa dessa velha bandalheira.

Aqui, a vantagem vai toda para a nova, pois a velha já foi batida em toda a linha. Cá para mim, o candidato a turista, que batia na velha todos os dias, deve ter-se tornado amante da nova. Mas, deve ter-se esquecido de a levar nas suas longas e permanentes viagens, deixando-a aqui com total liberdade de ação.

A velha, coitada, que tão enxovalhada foi no tempo dele, cobre agora a cara de vergonha ao olhar para os vícios da nova. Tudo o que possuía já lhe foi surripiado e, sem nada, foi atirada para as ruas da amargura. O turista vai dando voltas ao mundo, até que o mundo tome conte dele e da nova que muito ama.     

Sua excelência e o excelentíssimo, de mãos dadas, fazem da caça às novas o seu modo de vida, afastando as velhas com aquele desdém de quem está bem servido. Mas, começa a ser evidente que as novas são muito mais traiçoeiras que as velhas, mesmo descontando as más matreirices das velhas.

Depois, as novas exigem uma pedalada que nem toda a gente tem. Precisam de muita cabeça e de muito músculo, para se sentirem satisfeitas e realizadas. As velhas eram um descanso. Esta coisa devia ter um ponto de equilíbrio que o novo e o velho, de mãos dadas, têm que procurar e saber encontrar depressa.      

Contudo, já há quem veja entre o velho e novo, novas modalidades de alta competição. É que, nos tempos da velha, havia convergência. Agora, com o novo, vai surgindo divergência. Talvez, por falta de oposição a sério, tenham decidido fazer oposição um ao outro.