Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

23 Jul, 2012

Exportas

 

Dizem os entendidos que o nosso futuro está nas exportações. Pois bem, cabe a todos nós assumirmo-nos como vendedores daquilo que ainda temos, ou daquilo que ainda produzimos. Não podemos nem devemos deixar que tal responsabilidade caia exclusivamente em cima dos nossos bons ou maus governantes.

Porque, bem vistas as coisas, internamente, já não há ninguém que compre nada. Nem é preciso dizer porquê. Nem tão pouco é preciso chamar o Álvaro para nos explicar lucidamente o motivo de tal deficiência da economia dele. Da economia importada do Canadá.

Pronto, dispensam-se apartes pouco ou nada a propósito, pois estava a falar de exportações logo, não tinha que meter aqui as importações. Queria eu dizer que temos mesmo de emigrar todos, que mais não seja para promover a venda daquilo que não temos condições para vender cá dentro.

E não seremos os primeiros pois, se olharmos para a quantidade de vendedores de alto gabarito que andam espalhados pelos quatro cantos do mundo, compreenderemos que também nos compete a nós dar-lhes uma ajudinha nessa tão ingente tarefa de vender o país lá fora.

E a tarefa é tanto mais ingente, se atendermos a que nos pode caber em sorte ter de acompanhar os gregos na recuperação da sua independência. Portanto, é vender agora, pois em cada dia que passa a nossa cotação vai baixando, por ordem de quem nos quer comprar, quanto mais barato melhor.

Porém, que não se iludam os que quiserem colaborar nesta tarefa de emigrar para vender, julgando que vamos levar a vidinha que os de alto gabarito estão a levar. Eles vão para os melhores hotéis, nós teremos que ir para debaixo de uma árvore do jardim público.

Além disso, não podemos contar com o avião, nem com ajudas de custo, nem com comitivas que nos ajudem a passar os tempos mortos. Com alguma sorte poderemos encontrar uma ou outra misericórdia que nos ajude a mantermo-nos de pé e deixar-nos lavar os pés com borregas em todos os dedos.    

Se eu mandasse alguma coisa, atirava-me ao futebol para evitar estes difíceis problemas. Já que não temos jogadores portugueses para vender, nacionalizava todos os treinadores nacionais e punha-os no mercado de transferências. Os clubes estrangeiros iam comprar como quem compra ouro.

Era a melhor das exportações a que podíamos deitar mão. Mas podíamos complementá-la com a cedência de presidentes de clubes. Alguns deles, com valor acrescentado em atividades muito interessantes, que os estrangeiros desconhecem. Uma valorização extra que podia trazer mais uns milhões para o país.

Além disso, seria uma maneira de evitar as importações milionárias de jogadores que custam os olhos da cara aos nossos clubes em vias de falência. Mais uns milhões que se poupavam ao país. E muito mais se pouparia, se trocássemos uns gestores públicos com o estrangeiro. Um intercâmbio muito interessante.

Este negócio de importas/exportas, ou seja, Portas dentro, Portas fora, tem o grande mérito de colocar a economia a falar línguas estrangeiras, principalmente, línguas exóticas. Isto do francês, do inglês e do espanhol mas, sobretudo do alemão, já deram o que tinha a dar.

Entretanto, convém não minimizar a exportação da língua portuguesa. É evidente que convém que os vendedores de alto gabarito não redijam os contratos de vendas segundo o novo acordo ortográfico. Seria uma confusão extra para quem quer comprar apenas produtos portugueses legítimos.

Finalmente, temos de reter a ideia de que os nossos benfeitores não querem roubar-nos nada. Eles só querem o nosso bem e, sobretudo, o bem de quem anda a fazer os bons negócios que salvam o país. Mesmo tendo em conta, o que andam a gastar das nossas contas.