Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

24 Jul, 2012

Altas decisões

O senhor PGR afirmou há dias que só mandaria investigar a licenciatura do Doutor Relvas se houvesse ilícitos criminais, tais como falsificação de assinaturas, etc. Fiquei a pensar quem seria a pessoa ou entidade que deveria informar o senhor PGR da existência ou não, desses ilícitos criminais.
Julgava eu que competia à justiça investigar todas as situações em que essas dúvidas se colocavam, independentemente de quem estivesse em causa. Afinal, depreendo que isso depende exatamente de quem está em causa. Para não pensar nada de pior.
Inevitavelmente, tenho de voltar uns anos atrás e referir o caso do engenheiro Sócrates. Foi exatamente à procura de ilícitos criminais que o senhor PGR mandou investigar a obtenção dessa licenciatura porque, como revelaram as investigações, nada se provou de ilícito e o processo foi arquivado.
Ora aqui é que está a diferença. Não se investiga o caso Relvas porque não há ilícitos criminais e investigou-se o caso Sócrates, embora não houvesse ilícitos criminais. Poderá dizer-se que neste último caso havia indícios. Mas no primeiro caso não se fala em indícios, mas sim em ilícitos.
Ao que me parece, e a muito mais gente, o que não faltam no caso Relvas são indícios que bem mereciam ser averiguados, que mais não seja por uma questão de higienização de um partido e, sobretudo, de um governo já que, quanto a um país, a higienização teria de ser muito mais profunda.
Mudando de assunto. Aquele doutor ligeiramente fanhoso, que não tem culpa de o ser, lançou há dias a teoria da utilidade da competição política, saudável, digo eu, entre os principais dois protagonistas da política portuguesa. É uma ideia muito interessante que, certamente, nem ao diabo lembraria.
Digo eu também, se assim é, por que razão se escandalizam tanto com o facto de o PS divergir de ambos em muitas, ou algumas matérias. É que o PS está na oposição, por deliberação do voto popular. Mas acresce ainda que, por um lado é insultado com frequência, por outro lado é chamado a colaborar.
É evidente que ser colaborador, é uma coisa muito diferente de ser guarda-costas ou escudo de proteção, quer quanto à imagem que querem dar lá para fora, imprescindível para a imagem deles próprios, quer como mera desculpa para não assumirem sozinhos as borradas que fazem.
Mudando novamente de assunto. Diz-se por aí que a Espanha nos está a estragar a vida com a sua desgraça. Tenho a impressão que o senhor Rajoy está agora naquela fase do nosso PEC IV. Cá foi rejeitado e lá seguiu em frente. Que trouxe a troika para cá e que a Espanha recusou receber.
Parece que vai tudo dar ao mesmo. Ele vai ser obrigado a troikar-se, como cá, o governo de então, foi forçado a troikar-se. O que tem de ser, tem muita força. O que não tem força nenhuma são os constantes atropelos à verdade, pois querem fazer crer que o poder do dinheiro que arruína, é a nossa salvação.
O senhor Rajoy bem se tem esforçado por não se vender sem luta e não é o primeiro a fazê-lo. Apesar de haver já mais vozes do seu lado, pode não resistir. Mas há uma coisa que o levou já a abrir os olhos. É ter-se apercebido que os espanhóis têm andado a dormir demais.
Daí que vá pô-los a trabalhar, mesmo quando estavam tradicionalmente habituados à fresca siesta com a barriguinha cheia. Pelo contrário, nós, de barriguinha vazia e sem trabalho, podemos começar a disfrutar todos os dias de uma boa e regeneradora sesta.
Volto a mudar de assunto. Pareceu-me que o ideólogo da TVI para os assuntos politiqueiros, falou em vitimização de alguém. Não me parece que seja ele próprio a fazer-se vítima de quem pensa que aquilo que ele diz, não se escreve. Depois, logicamente, as vítimas não se vitimizam, né sô proféssô.