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afonsonunes

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Com a saúde não se brinca mas não é isso que vamos vendo no dia-a-dia. Diz-nos o chefe do governo que não nos está a dar demasiado remédio para a febre. Se ele nos falasse de dinheiro talvez eu o entendesse, ainda que não tenha dúvidas de que nada de bom esperava ouvir.

Mas, o chefe do governo a pretender tratar-me da saúde, é coisa que não entra cá na minha. Tal como, falar-me de febre e de remédio em demasia, ou em dose insuficiente, é coisa que me assusta, pois nem sequer me auscultou, nem eu o consultei, tão pouco me passou qualquer receita médica.

Depois, que ele me perdoe, mas pergunto se ele também tem o curso de medicina, ou tem apenas umas cadeiras de boa madeira no consultório onde falta o estetoscópio e o termómetro, instrumentos essenciais para diagnosticar doenças e receitar medicamentos para a febre.

Mas, o que mais me assusta, é o facto de o chefe do governo ter falhado diagnósticos sucessivos, desde os tempos em que ainda só prognosticava doenças nos comícios de ensaio para a tomada da pastilha, perdão, para a tomada da sua governadora missão. Já então, dizia ter o exame clínico perfeito do país.

É pois de susto o meu estado de saúde, embora seja obrigado a seguir o tratamento que me é prescrito. Acontece que o médico de bata branca, também não se tem entendido lá muito bem com o chefe da nossa saúde, ministro, como vimos nos dois dias em que todos estiveram de candeias às avessas.

No entanto, na minha ótica, o país ficou a ganhar. Desentenderam-se os compadres e, como sempre, vieram ao de cima algumas verdades escondidas. Os médicos ganharam os concursos e o chefe da saúde descobriu-lhes a careca no que toca às verbazitas que entravam, e ainda entram, por baixo da mesa.

Agora, vai começar o negócio. Resta saber se em bases mais sérias e reais argumentos, que ambas as partes andavam a esconder aquilo que toda a gente sabia. Foi um jogo em que o resultado foi um empate, ou melhor, um jogo em que houve dois vencedores e dois derrotados. Coisa estranha, mas real.

Tudo indica que houve estados febris em ambas as partes, antes do estado gripal de dois dias em que todos foram à cama. E foi assim que os remédios começaram a ser administrados e só esperamos que venham a ter os resultados que os doentes merecem. A sua cura, sem recaídas sempre perniciosas.

Porém, se o chefe do governo entra nesta enfermaria, onde a saúde e o médico se têm confrontado, as coisas podem realmente entrar por um caminho que pode degenerar em epidemia. Os espirros constantes que ele solta sem pôr a mão na frente da boca, são uma evidente fonte de contágio.  

O país só terá a ganhar se o chefe do governo se mantiver à distância, deixando os remédios e as febres nas mãos dos médicos que, esses sim, não nos darão sobre doses nem mini doses. E o chefe da saúde deve, até porque sabe muito bem, de onde pode tirar dinheiro, para pôr no devido lugar.

O chefe do governo, se tiver de dar uma ou outra injeção de emergência, fará bem em chamar uma enfermeira diplomada. Mas pague-lhe o justo valor do seu trabalho. À cautela, para não haver equívocos, certifique-se de que o diploma não foi obtido através de bónus, mas sim de aulas a sério.  

Tenho constatado que o chefe do governo tem onze braços direitos. Até aqui tudo normal. Mas farto-me de pensar o que terão feito aos onze braços esquerdos que eu não consigo ver. Não quero sequer admitir que houve amputações indiscriminadas. E agora? Quer braços esquerdos alheios?

O chefe do governo tem de governar e governar-se com os braços que tem. E com os médicos que saibam curar e operar, segundo as competências que têm e os remédios dados na dose exata recomendada. Com a saúde e com a carteira dos contribuintes não se brinca.  

 

 

 

                 

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