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afonsonunes

afonsonunes

03 Ago, 2012

Fanáticos

 

Fiquei a saber que há muito mais fanáticos do que eu imaginava. Então, alguém podia adivinhar que a segunda maior câmara do país era presidida por um fanático e, surpreendentemente, por um fanático dos popós? Mas, há aqui qualquer coisa que não bate certo.

É preciso saber o que é um popó para depois concluirmos se, efetivamente pode, ou não, haver fanatismo nessa coisa. Ora, popó não é nada mais que uma buzinadela de um automóvel, ou seja, um barulho que manda as pessoas sair do meio da rua, ou da estrada, para o dito passar sem atropelar.

Portanto, fazer popós, não é fazer automóveis ou corridas de automóveis. Eu suponho que ninguém pode ser fanático por apitadelas de buzinas que só servem para assustar as pessoas. Logo, o presidente da Câmara do Porto, nunca pode ser um 'fanático dos popós'.

Mas, foi chamado a esclarecer esta coisa tão banal perante uma juíza que deve ter um bom automóvel a que ela deve chamar, simplesmente, um popó. Talvez porque esse carrão tenha uma buzina que não chateia ninguém. Depois, estas coisas de aparente pouca importância, decidem grandes causas.

O mesmo deponente, que não é 'fanático dos popós', já tinha sido considerado energúmeno numa outra incidência que motivou uma outra ida ao tribunal. Dessa vez, apenas lhe recomendaram que se habituasse a encarar a democracia de uma maneira menos pessoal e mais abrangente.

No douto entender de quem o ouviu no tribunal, energúmeno é um termo que simplesmente designa liberdade democrática, penso eu, uma espécie de permissão para um energúmeno vulgar e irrecuperável, considerar seu colega de comportamento, um presidente energúmeno de ocasião.

Voltando aos fanáticos, agora sem popós, não percebo por que razão o autor da frase inscrita numa parede a esse propósito, não foi chamado a tribunal para explicar qual a sua apetência para ser classificado do mesmo modo que classificou o ilustre presidente.  

Isto porque, já foi demonstrado antes, que essa frase não pode ter nada a ver com popós. Mas, pode ter a ver com a tendência do autor da frase e estarmos perante um 'fanático de piadas'. As iniciais são as mesmas e as intenções podem ser exatamente as mesmas.

Não acredito que, nem um nem o outro, possam ser classificados assim. Mas também não acredito que a justiça possa dar lugar ao julgamento popular de que por lá também possamos encontrar 'fanáticos da pureza'. É evidente que seria da pureza no julgamento imparcial, justo e sensato.

Nesta matéria, estou de acordo com o entendimento do presidente, que não é fanático de nada, que eu saiba, nem é um energúmeno em nada parecido com todos os outros que possamos imaginar. Fanático não rima com energúmeno, e eu detesto toda a poesia que não rima com nada.

Realmente, estamos cada vez mais a enterrar toda a poesia que a vida já teve, e que dificilmente se lhe pode ver neste momento. Aliás, até a prosa vai deixando os seus créditos nas mãos de fanáticos espertos de mais, para que lhes não possamos chamar energúmenos.

No entanto, podemos aperceber-nos, como se depreende das palavras do presidente da Câmara do Porto, de que algo está a abandalhar-se perigosamente. Esta coisa da bandalheira não me é estranha. Alguém falava muito nela todos os dias em tempos que não vão assim tão longe.

E, realmente, a bandalheira, que já vem de longe, tem crescido assustadoramente. E quem podia travá-la, porque já a conhecia bem, resolveu mudar-se para bem longe dela. Com bons popós, claro.