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afonsonunes

afonsonunes

10 Ago, 2012

Calma, não é nada

 

Se há coisa que não se pode dizer é, quem é o melhor e quem é o pior, seja lá no que for. Eu até nem queria meter o bedelho nesta matéria devido às altas temperaturas que se fazem sentir imediatamente após a emissão de tão controversa sentença.

Se juntarmos essas quenturas às que andam no ar ambiente, essa mistura pode resultar em incêndio de proporções inacreditáveis e longe de mim a ideia de que posso ser considerado um incendiário de topo, neste país onde abundam muitos produtores de faíscas, mas incendiários a sério, não há.

Assentemos pois que vou continuar, mas continuo contrariado, ao ter de dizer que ele foi considerado o melhor de todos. E acrescento que ele foi considerado o melhor de sempre. Ora isto é das tais coisas que não fazem sentido nenhum. É por isso que eu não devia estar a provocar aquelas reações normais.

Ainda para cúmulo, de gente normal que sabe muito bem que quem se pronuncia no sentido de escolher o melhor ou o pior, não é normal. Sobretudo se não for escolhido alguém dentro da normalidade das pessoas normais. Por mim, não tenho cócegas em conhecer até a opinião de pessoas anormais.

O melhor de sempre, ou o melhor de todos, para pessoas anormais, será certamente o pior de todos e o pior de sempre, para pessoas normais. É a assim a lei da vida. E é por isso que não queria meter-me, nem com pessoas anormais, nem com pessoas normais, pois posso muito bem ficar-me pelo assim, assim.

Também posso dizer que nem quero ser peixe nem carne, aliás, como muita outra gente que conheço, mas com a qual nunca estive de acordo. É apenas mais uma contradição que encontro em mim mesmo. Ou, se calhar sou eu que não tenho mesmo jeito nenhum para dizer certas coisas.

Mas, já agora, sempre digo que há coisas mesmo surpreendentes. Quem havia de dizer que um jornal, os seus leitores, claro, que sempre estiveram do lado de gente normal, de gente entendida, fosse escolher como o melhor de sempre e o melhor de todos, precisamente, um anormal, o pior de sempre e o pior de todos.

É evidente que isto choca toda a gente normal que, certamente, não perde o seu tempo a ler um jornal anormal e, muito menos, a dar crédito a um jornal cuja tinta que mais nele predomina é alaranjada. E logo, mas que terrível contradição, logo foram escolher o melhor de sempre e de todos, um da cor avermelhada.

Estes, ao que parece, cerca de onze mil leitores votantes, são apenas a demonstração de que deve ter havido por ali muitos votantes avermelhados infiltrados. E, sem sombra de dúvida, os alaranjados foram todos de férias para fora, o que levou a este insólito resultado.

Também não é de desprezar a hipótese de grandes distrações em quem tem por missão controlar e evitar desastres desta natureza. Lá está, patrão fora, dia santo na loja. Realmente, há uma grande diferença entre alaranjados e avermelhados, na maneira e nos locais onde eles gozam férias.  

De qualquer forma, isto é intolerável e não devia ter acontecido, porque revela que o país está a começar a pensar ao contrário. Os bons começam a ficar maus e os melhores começam a ficar os piores. Os grandes vultos ficaram muito em baixo, enquanto os pigmeus subiram ao pódio. E o hino soou para o pior de todos.

Contudo, espero que ninguém se assuste. Esta foi apenas uma brincadeira de putos irrequietos, num jornal de votantes daltónicos, que apenas quiseram pregar um pequeno susto a gente de bem que se assusta com pouco. Haja calma e respirem fundo, que isso passa. Aliás, tudo vai passando.