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afonsonunes

afonsonunes

13 Ago, 2012

'Não incomodar'

 

Este simples dístico podia evitar grandes incómodos a pessoas que estão constantemente a ser vítimas do assédio verbal, quantas vezes infernal, de quem não lhes sai da porta, tanto de casa, como de portas onde tem de entrar e sair por obrigação das suas importantes visitas.

Normalmente, onde há uma comishão, aparece o desejo de ir incomodar alguém que está de férias, que gostaria de ir descontraído com a família ao banhinho, sem ter de levar os assessores para receber os documentos que as comishões teimam em entregar e, se os deixassem, terem logo ali um prolongado bate papo.

Daí que me tivesse surgido a ideia de que os carros oficiais podiam ter todos afixado o expressivo dístico, ‘Não incomodar’. Nos trajetos a pé ou nos guarda-sóis da comitiva, no caso das praias, o mesmo dístico devia estar bem visível, tudo por causa dos imprevisíveis membros das comishões que andam por todo o lado.

Não tem jeito nenhum, esses senhores, que não gozam férias, dedicarem o seu tempo a estragar as férias de quem tem necessidade, mais que qualquer outro cidadão, de ter o seu repouso restaurador de energias, que resultarão em benefício para o país, através da sua incansável atuação durante o ano inteiro.

Mas, continuo na minha. Tanto na manta, como na coelha, era de toda a conveniência a colocação de sinalização bem visível, ‘Não incomodar’, poupando assim a presença contínua de tantos agentes que, coitados, nem sequer podem ir tomar o seu cafezinho ao bar da praia, quanto mais dar um mergulho.

Aliás há por todo o Algarve uma baralhação enorme, que até atinge as comishões dos utentes, provocada pelo facto do senhor Silva não ir para a manta, por preferir a coelha, enquanto o senhor Coelho não vai para a coelha, porque gosta mais da manta. Assim à primeira vista parece uma incongruência. Eles é que sabem.

Em Belém e em S. Bento, o dístico logo à entrada dos palácios, durante o ano inteiro, significaria um enorme acréscimo de descanso e de repouso para todo aquele pessoal que ali se ocupa. E o espaço normalmente ocupado pelos das comishões, ficaria livre para afixação de recados e informações úteis ao país.

Poderia ainda considerar-se a hipótese de colocar nesses espaços um dístico complementar do tipo, ‘Vão para o Rato’. Sim, porque o Rato já tem muita experiência acumulada nessa matéria de comishões protestantes. Até nem se percebe lá muito bem porque se mudaram assim de repente.

Porque há sempre aqueles protestantes mais teimosos que não percebem bem, ou não querem perceber, as mensagens contidas nos dísticos, sugiro um dístico alternativo, por exemplo, ‘Vão chatear outro’. Cada um deles entenderá que, a bem da nação, têm o dever cívico de procurar o outro que lhes convém.

Volto à minha ideia inicial que, quanto a mim, é a mais pura, embora não original. ‘Não incomodar’ é um dever patriótico. Que interessa lá se as Scuts pagam ou não pagam, quando se sabe que quem paga são sempre os mesmos. Que interessa lá se as comishões fazem coçar muita ou pouca gente. Cada um que se coce como quiser.

Não devemos, não podemos, estamos proibidos de incomodar quem tem as férias que nós não podemos ter, não temos o direito de ter, estamos proibidos de interromper aquelas que, por dever, temos obrigação de proteger. Caso contrário, é esperar para ver, pois há protestar e protestar e depois comer e calar.

 Portanto, ‘Por favor, não incomodar’. Se querem protestar, ‘ Vão ratar para o Rato’. Se acharem bem, ‘Não pagamos’, é só esperar pela conta! Mas, há remédio para tudo: Se as minhas sugestões não serviram para nada, então, senhores comishões, ‘Vão chatear outro’. Se faz favor, que também se cá usa.