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afonsonunes

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11 Abr, 2014

24 e 25

 

 

Vai fazer precisamente quarenta anos que o país acordou com o 25 de Abril, aquele que se celebra desde então. Curiosamente, há muita gente que celebra o seu 24 na data errada. Um dia depois.

A tendência vai no sentido de serem estes a monopolizar a data para o fazerem à sua maneira. Isto é, abafando cada vez mais as vozes que não lhes convém ouvir e subvertendo o sentido popular das festas.

Não prescindem de o fazer em espaço fechado, onde melhor podem controlar os acontecimentos, beneficiando da rigidez das normas de utilização do espaço, evitando assim, a presença do povo anónimo.

E, acima de tudo, obrigando ainda todos os convidados ao severo regimento e às palminhas da ordem aos seus costumeiros discursadores. O silêncio tem de ser a regra de oiro. Ouvir e calar.

Já não há maneira de dar a volta a isto, tal como as coisas estão agora. Mas, tudo tem solução e não me admiraria nada se, já este ano, se desse uma alteração profunda nas comemorações.

Os do 24, que se encerrem onde se sentem bem a comemorar o que realmente sentem, sem ter de tentar mostrar o que não sentem. Os do 25, que tenham a coragem de comemorar onde lhes apetecer.

Mas, sobretudo, que o façam com quem está de coração aberto, sem portas fechadas, para que seja o povo a colorir os festejos e a deitar cá para fora o que lhe vai na alma. É tempo de clarificar.

Mas, há que clarificar outra coisa importante. Que os do 24 façam os seus festejos e comemorações no seu dia preferido, o dia 24. Não faz sentido nenhum andar a fazer o frete de adiar o seu dia.