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afonsonunes

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14 Ago, 2012

E eles a dar-lhe

 

Ao que parece começa hoje o regresso de férias, segundo a meteorologia, com um fresquinho que até pode dar para arrefecer umas cabecinhas quentes que não desistem da ideia de reivindicar o exclusivo da ocupação deste retângulo e das suas sentenças condenatórias dos desobedientes, às mais dolorosas penas.

Nesse sentido, essas cabecinhas desejam, entre outras coisas terríveis, que haja quem fique de férias permanentes lá por onde andaram uns dias, para não causarem aquele terrível incómodo que lhes causam essas vozes. Por acaso, nunca devem ter pensado no incómodo que eles próprios causam a outros.

É evidente que estas discussões de quem deve falar e de quem deve estar calado é como chover no molhado. Com burros destes não vale a pena ir à feira, pois a possibilidade de negócio é quase nula. A menos que ao poder negocial se sobreponha o poder do engano e a capacidade de enganar.

Porque eles estarão sempre a dar-lhe com os mesmos argumentos, por exemplo, um a dizer que o burro tem os dentes estragados, enquanto o outro garantirá que estão apenas sujos da ração que nunca comeu. Isto para dizer que negócio de burros é coisa que só serve para mantê-los no país que os ignora.

Tal como ignora todos aqueles que pensam que, além deles, tudo o resto são burros que só prejudicam os espertos, para quem tudo o que não venha da cabeça deles é estupidez e ignorância logo, desperdício que só pode ter como destino o contentor do lixo. Os do outro lado veem-nos exatamente do mesmo modo.

Porém, este país não é uma lixeira a céu aberto, até porque há muito lixo em recintos fechados. Hoje é dia de regresso de férias de muita gente, a muitas dessas lixeiras reservadas. Espera-se que todos regressem mesmo pois, ao contrário das cabecinhas quentes nós, os outros, desejamos que todos regressem em forma.

Tal como desejamos que este país não seja apenas um abençoado laranjal de cultura intensiva e exclusiva, nem um roseiral de perfume único, onde toda a fruta fique proibida. O país precisa de comer e respirar ao gosto de cada um, sem o zurrar de burros inconvenientes a pretender falar como gente.

Até porque sempre se ouviu dizer que vozes de burro não chegam ao céu. E, ao que me parece, esses burros sempre tiveram a presunção de terem o céu à mão de semear quando forem chamados a prestar contas. Mas, lá no fundo da consciência, andam muitos pecados escondidos, bem escondidos, julgam eles.

Hoje, espera-se que o tradicional Pontal, no Algarve, seja uma festa de amizade e apelo a que todos contribuam para a reconciliação do país, de modo a que venha a verificar-se a sua rápida recuperação. Para isso, é necessário que não haja cabeças rachadas, nem ameaças à exportação das feras que lhes causam miúfa.  

Cuidado. Reconciliação não é subjugação. Reconciliação, sim, mas dentro do respeito e diversidade de ideias. Porque num país livre, as ideias divergentes enriquecem e nunca empobrecem. Num país livre, não deve haver miúfa de ninguém, se não houver burrices que a imponham.

Espera-se que não tenha sido essa miúfa que levou o PSD a andar com o Pontal às costas de um recinto aberto, onde cabia toda a gente, para um recinto fechado, onde, de certeza, vai faltar o ar a muita gente do antigo PPD, ainda saudosa desses velhos tempos em que ninguém temia nada.

Espera-se também que não venham de lá, ao fim da noite, tristes e falsos esconderijos para muitas coisas que já toda a gente viu. Que não venham de lá velhos discursos que tentem deitar-nos mais areia para os olhos, correndo o risco de deixar as praias do Algarve com mais pedras que areia.

Será pois, uma bela oportunidade para que os discursos reforcem a satisfação das necessidades urgentes de que o país carece. Uma excelente oportunidade para que as nuvens negras se dissipem, sem demonstrar miúfa de nada nem de ninguém. Que logo, ao fim da noite, não possamos dizer, e eles a dar-lhe…